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Manoel de Oliveira distinguiu-se pela «ardente procura do absoluto» e fez do cinema «uma grande arte do espírito»

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Manoel de Oliveira distinguiu-se pela «ardente procura do absoluto» e fez do cinema «uma grande arte do espírito»

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, o bispo D. Pio Alves, sublinhou esta quinta-feira que a cinematografia de Manoel de Oliveira se distinguiu pela «ardente procura do absoluto», fazendo da Sétima Arte «uma grande arte do espírito».

Em mensagem publicada na página da diocese do Porto, de que é um dos bispos auxiliares, o prelado realça que Manoel de Oliveira revisitou «com sensibilidade a tradição cristã», ao mesmo tempo que auscultou «as interrogações de infinito que o coração humano não deixa de colocar».

Para o responsável pelo departamento do episcopado em que o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura está integrado, o realizador que morreu esta quinta-feira, no Porto, com 106 anos, «foi um grande apaixonado do absoluto e transmitiu esse amor de uma forma incomparável».

«É com emoção que o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, órgão da Igreja em Portugal, se associa a quantos nesta hora relevam a perda de uma figura de primeiro plano da cultura portuguesa e reconhecem a extraordinária importância do seu trabalho artístico», escreve D. Pio Alves.

«Sentimos concretizado na obra de Manoel de Oliveira, e de outros protagonistas da nossa cultura, aquilo que o Concílio Vaticano II deixou bem vincado: as artes são um componente necessário do património de cada comunidade humana e ajudam a pessoa humana a chegar a uma autêntica e plena realização», acrescenta o prelado, referindo-se ao n.º 53 da "Gaudium et spes", documento sobre a relação da Igreja com o mundo.

Ainda que «centenário», Manoel de Oliveira irradiava «uma juventude e uma novidade que permanecerão como marcas do seu exemplar percurso, tendo sublinhado, aquando da visita do papa Bento XVI a Portugal, em maio de 2010, que «o cinema é a mais recente de todas as expressões artísticas».

A mensagem de D. Pio Alves assinala «três traços da ampla herança que Manoel de Oliveira lega à cultura portuguesa, da qual foi um nome indiscutivelmente cimeiro», a começar pela «importância que o seu cinema dá à palavra».

«Não só o seu trabalho próximo com criadores literários de excelência, como José Régio, Agustina Bessa-Luís ou Paul Claudel, mas a desassombrada aposta em recuperar a dignidade e a verdade da palavra como documento humano que é, contrariando com isso toda uma tendência de banalização e empobrecimento verbal», refere.

Para o bispo auxiliar do Porto, a «riqueza imagética» do cinema de Manoel de Oliveira é «indissociável do reconhecimento civilizacional que a palavra continua a ter como lugar de procura e de revelação de um sentido maior».

D. Pio Alves enaltece igualmente a reflexão que o realizador de "Acto da Primavera" propõe sobre a história de Portugal: «Escapando à tentação de ancorar-se unicamente na espuma do presente, e num desejo de compreendê-lo em profundidade, Oliveira reflete de forma obstinada sobre o destino nacional, desde a nossa fundação como país ao alcance utópico da nossa missão enquanto coletivo».

«Para mergulhar simbolicamente no país que somos, o seu cinema tornou-se um mapa particularmente fecundo», aponta D. Pio Alves, que conclui: «Por tudo isto, a cultura portuguesa e a Igreja em Portugal lhe estão gratas».

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 22.04.2023

 

 

 
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Escapando à tentação de ancorar-se unicamente na espuma do presente, e num desejo de compreendê-lo em profundidade, Oliveira reflete de forma obstinada sobre o destino nacional, desde a nossa fundação como país ao alcance utópico da nossa missão enquanto coletivo
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