

"Louvor e glória ao supremo bem" ("Sei Lob und Ehr dem höchsten Gut, BWV 117") é a obra de Johann Sebastian Bach (1685-1750) que propomos para este domingo.
Foi composta entre 1728 e 1731, desconhecendo-se o motivo da sua composição. Baseia-se num hino de Johann Jakob Schütz que costumava cantar-se em casamentos, pelo que é plausível admitir que a obra tenha sido composta para uma boda nupcial.
Bach conserva o texto do hino sem o modificar, pelo que a obra tem necessariamente algumas restrições dado que se adapta à letra.
O primeiro movimento tem um carácter alegre graças à alternância entre o conjunto instrumental em estilo concertante e o coro, introduzindo a melodia coral de forma solene e tranquila.
A presença de flautas e oboés oferece ao conjunto um colorido especial. As sopranos interpretam o coral nos registos mais agudos e as vozes inferiores imitam-nas.
A obra prossegue com um recitativo "secco" (em que o acompanhamento musical é reduzido ao mínimo), que conduz a uma ária com dois oboés d'amore.
O seguinte, que corresponde à quarta estrofe dohino, é um coral seguido por um recitativo. Depois é apresentada uma ária para baixo com acompanhamento de violino, com figurações que quase se assemelham às da voz.
Outra ária, desta vez para alto e com belíssimas figurações da flauta, conduz a novo "secco". O coro termina a obra de forma similar à do primeiro movimento.
A interpretação está a cargo da Orquestra Barroca de Amesterdão, dirigida por Ton Koopman.
Nos primeiros versos podemos ouvir (e meditar): «Glória e louvor ao supremo bem,/ ao Pai de todos os bens,/ ao Deus que faz maravilhas,/ ao Deus que enche o meu coração».
Jose Gallardo Alberni