Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Música: O anjo de Krysztof Penderecki

Faleceu este domingo, 29 de março, o compositor polaco Krysztof Penderecki, um dos mais escutados dos finais do século XX e início do XXI. Tinha 86 anos, e aos cinco o pai ofereceu-lhe um violino. Aos seis compôs a sua primeira peça, ao mesmo tempo que aperfeiçoava a interpretação. Em Cracóvia, cidade onde morreu, iniciou os estudos musicais, que o conduziram a abandonar o instrumento e a dedicar-se inteiramente à composição.

As suas primeiras obras apresentavam uma linguagem radical e repleta de expressividade, mas aos poucos enveredou por uma música mais convencional, próxima da linguagem tonal. As peças que criou, muitas encomendadas por instituições internacionais, passaram a ser interpretadas no estrangeiro, destacando-se por conter elementos muito exigentes para os intérpretes. Foi também um importante diretor de orquestra.

«A música que chegava do Ocidente era proibida na Polónia. Tal como a música sacra. Por isso escrevi música de vanguarda sobre temas sacros. Depois de obter o diploma, em 1959 escrevi os “Salmos de David”, e em 1966 causou celeuma a minha “Paixão segundo Lucas”. Nunca abandonei o tema do sagrado. Julgo que houve apenas dois compositores que no século XX desenvolveram verdadeiramente a música sacra num tempo que não a amava. Um é Olivier Messiaen, o outro sou eu», declarou.

Ainda no âmbito da música sacra, compôs peças de duração diferenciada: o seu “Credo” estende-se por uma hora; mais curtas são, por exemplo, o “Stabat mater” e o “Veni Creator Spiritus”. Da sua pauta nasceu também uma “Missa Brevis”.

Compôs sinfonias, bem como obras vocais e de câmara. Entre os anos 60 e 70 escreveu peças relacionadas com a história, como a evocação das vítimas de Auschwitz e Hiroxima; no “Requiem polaco” recordou acontecimentos da história do país, passando por S. Maximiliano Kolbe ao sindicato Solidariedade.

A obra que propomos para evocar Krysztof Penderecki intitula-se “Iže cheruvimi”, canto do querubim. Trata-se de uma peça coral “a capella” a oito vozes, composta em 1989, aqui interpretada  pelo agrupamento Dale Warland Singers. O texto baseia-se num hino da liturgia ortodoxa, cuja atmosfera de louvor está descrita sob a superfície.

A composição abre-se em compasso ternário, com as vozes a acumular-se de forma sucessiva, evocando o canto dos querubins. Os baixos vão dando cor às vozes, enquanto as outras invocam a Trindade. Penderecki divide o coro em duas partes, e a harmonia começa a mover-se livremente, tornando-se cada vez mais dissonante. A composição termina com um “aleluia” que não tem a habitual modalidade otimista, mas contém algo de irreal, autocontido, que encaminha o ouvinte para a infinitude da divindade.









 

Alessandro Beltrami/Avvenire, Pepe Gallardo/Religión Digital
Edição: Rui Jorge Martins
Imagem: Krzysztof Penderecki | D.R.
Publicado em 30.03.2020

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos