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Jovens: No dia 15 de março vimos, ouvimos e lemos o pensamento que faz futuro

O dia 15 de março de 2019 será recordado como a primeira ação global, e verdadeiramente mundial, promovida por jovens para mudar o mundo. Uma data fundamental para o nosso tempo. Haveremos de o compreender melhor no futuro. É uma novidade que deveria fazer-nos parar a todos e refletir em profundidade sobre muitos dos seus significados.

A infância e a adolescência são um património da humanidade e da Terra, o primeiro bem comum global, aquele que tem mais valor porque em si contem a possibilidade da continuação da vida humana. Na primeira “Sexta-feira para o futuro” global vimos que os jovens têm também um ponto de vista próprio sobre o mundo. Fazem muitas coisas, como e mais do que os adultos, e com as suas ações mudam e melhoram o mundo a cada dia. Mas eles não sabem só fazer: sabem também pensar, pensam diferentemente dos adultos e têm muitas ideias, porque não é preciso tornarem-se adultos para começarem a pensar verdadeiramente. A nossa civilização respeita, pelo menos nos textos das declarações comuns, as crianças e os jovens, mas não conhece, e por isso não estima, o seu pensamento sobre o mundo.

Nos congressos, por vezes, convidamos as crianças e os jovens para cantarem uma cançãozinha, fazerem uma pequena dramatização, e depois confinamo-los em salas específicas, para os seus programas paralelos. Não os convidamos e não os mantemos nas salas de todos, onde seriam preciosíssimos. Porque o seu ponto de vista é essencial. Têm ideias também sobre a economia, sobre a política e, ainda mais, sobre o ambiente.



Teríamos uma sociedade, uma economia e uma política melhores se tivéssemos levado a sério também este pensamento diferente. Seriam mais justos, mais sustentáveis, mais belos



Pensam-no e dizem-no com a sua linguagem, mas dizem-no depois de o ter pensado. Vivem e olham para o mesmo mundo dos pais, mas olham-no e vivem-no diversamente, e por isso pensam-no diversamente. O pensamento dos jovens está demasiado ausente do nosso tempo presente, como de resto estava ausente nos tempos passados. O século XX introduziu na esfera pública o pensamento feminino, que começou a mudar o mundo. O século XXI poderá ser o século que conhecerá o protagonismo do pensamento dos jovens.

As crianças e os jovens pensaram sempre, mas o mundo por eles pensado não era considerado pelos adultos algo de interessante, e muito menos de útil para a vida social, económica, política. E assim esse grande património ficou na sua máxima parte negligenciado, esquecido, não valorizado. Teríamos uma sociedade, uma economia e uma política melhores se tivéssemos levado a sério também este pensamento diferente. Seriam mais justos, mais sustentáveis, mais belos.

O modo com que os jovens olham para a economia e a pensam, por exemplo, não é o modo adulto. Eles, muito mais do que nós, veem os bens económicos no interior das relações. São mais sensíveis à desigualdade, à pobreza e ao ambiente, dão pouco peso ao dinheiro, são generosos. O seu pensamento é concreto, e por isso vivo: por exemplo, não há fome no mundo, mas há crianças, jovens e pessoas concretas que têm fome. O seu pensamento é concreto, é vivo, toca-se.

No dia 15 de março de 2019 vimos que os jovens deveriam e devem participar no debate público sobre todos os temas. Interagir com os políticos e os economistas, narrar as suas experiências e exprimir o seu pensamento, que deverá ser conhecido pelos principais políticos e economistas, porque dele têm necessidade. O pensamento dos jovens é um dom para toda a sociedade. Até hoje esquecemo-lo, a jovem sueca Greta Thunberg de 16 anos, os seus companheiros e companheiras recordaram-no. O bem comum estará mais próximo quando foi acolhido e escutado também o pensamento dos jovens. O pensamento-jovem foi e é o grande ausente no debate público até este 15 de março. Agora chegou, e nunca mais deve sair.


 

Luigino Bruni
In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: António Pedro Santos/Lusa
Publicado em 19.03.2019

 

 
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