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Jornal do Vaticano questiona eventual exploração de lítio do Barroso

A salvaguarda do ambiente pode ser causa de modificações do próprio ambiente? Este é o quesito que desde há meses atormenta a população da região do Barroso, a norte de Portugal, entre os municípios de Montalegre e Boticas.

A questão é a seguinte: a zona é rica num precioso elemento, o lítio, que é utilizado para a produção de baterias para veículos automóveis elétricos, muito aclamados para combater as emissões de CO2.

Por esta razão, nas semanas recentes o governo de Lisboa deu luz verde ao estudo preliminar para o impacto económico do projeto, que será conduzido por diante por uma empresa especializada no setor extrativo com sede em Londres, a Savannah Resources.

Se os londrinos rejubilaram, os pastores da região, proclamada em 2018 património agrícola mundial, viram esta notícia como a etapa de um perigoso percurso: temem, com efeito, perder o seu trabalho e o seu estilo de vida, tendo de transferir-se por causa do projeto.

As cabeças do protesto são Aida e Nelson, que à estação televisiva Euronews expressaram as suas preocupações. Em particular, teme-se que, uma vez iniciados os trabalhos da mineradora, a água presente no subsolo possa criar problemas de natureza hidrogeológica para toda a região.

Para não falar dos postos de trabalho: a população dos dois municípios, relata a Euronews, não estará convencida das perspetivas prometidas (200 empregos), visto que os postos perdidos seriam os mesmos, sobretudo no setor agrícola.

Segundo a agência Reuters, o valor do lítio presente nas colinas seria de mais de três mil milhões de euros. A agência londrina prometeu também que já estão prontos projetos infraestruturais ligados à mina, como estradas e proteções dos efeitos hidrogeológicos, de que toda a população beneficiaria.

O preço a pagar é o de esventrar as colinas para uma mina de duração limitada no tempo (dezasseis anos, aponta a Euronews), mas que possuem um bem que as leis do mercado, neste momento, tornam lucrativo.

O lítio é um material estratégico de que a União Europeia precisa para a substituição dos veículos poluentes e alcançar as emissões zero fixadas pelas várias cimeiras sobre as alterações climáticas que se sucederam nos últimos anos. Esta, a par da natureza económica do investimento, é a principal razão política que justifica a realização do projeto.

Na sua encíclica “Laudato si’”, o papa Francisco alertou para como o ser humano e a natureza estão interligados, e como a natureza, enquanto dom de Deus, deve ser preservada de maneira responsável, preservando também a sua relação com o ser humano e a sua dignidade.

Tendo em conta o caso da região do Barroso, é preciso perguntar se não será necessário uma nova aproximação aos temas do ambientalismo.









 

Cosimo Graziani
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 28.04.2021

 

 
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