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Jornal do Vaticano destaca diácono permanente na liderança prática de paróquia portuguesa

Um diácono permanente a quem se entrega a orientação prática da comunidade, apoiado pelos sacerdotes da Companhia de Jesus aos quais essa paróquia é confiada. Sucede em Odiáxere, debruçada às praias do Algarve, em Portugal. Não é caso único por estes lugares (algumas paróquias serranas são há anos cuidadas pela missão desenvolvida pelo diácono Albino Martins e a sua mulher), mas é certamente a primeira vez que acontece no âmbito de uma parceria entre a diocese do Algarve e um instituto religioso.

O bispo, Manuel Neto Quintas, está convicto de que o futuro de algumas comunidades paroquiais – tendo em conta a carência de sacerdotes, forçados a ocupar-se de mais realidades simultaneamente – dependerá da coordenação com outros ministérios, como o diaconado, e com os leigos encarregados.

«Pode também ser um sinal de Deus que nos está a dizer para servir a Igreja de uma outra maneira, com formas de serviço diferentes», afirma o prelado ao jornal diocesano Folha do Domingo.

«Os nossos sacerdotes têm um número crescente de paróquias, e não é possível, humanamente e temporalmente, poder acompanhar» todas da mesma maneira, explica, acrescentando que tarefa do presbítero é também a de acolher «as qualidades e as capacidades dos leigos mais responsáveis e, através deles e com eles, despertar ou gerar serviços e ministérios das paróquias a ele confiadas».



Esta opção é importante, de maneira a que «os próprios cristãos se deem conta para que serve o diácono, até agora visto como uma espécie de acólito ao lado do bispo ou do pároco no altar»



A escolha recaiu sobre os ombros de Nuno Francisco, 44 anos, professor da escola primária na vizinha Portimão, na sua mulher, Cristina, 42 anos, enfermeira especialista em cuidados paliativos, e, de alguma maneira, nos seus dois filhos.

A decisão de assumir a missão numa paróquia foi tomada em conjunto, ao longo do caminho de preparação para o diaconado, com vista à ordenação que aconteceu a 16 de junho de 2019. «Falámos do assunto algumas vezes com o bispo, dizendo-lhe que, se houvesse escassez de padres, estaríamos disponíveis. É verdade que estamos algo assustados, mas, ao mesmo tempo, temos a convicção interior de que se tivéssemos dito “não” teríamos anulado a graça recebida durante o sacramento», diz Nuno.

Cristina, por seu lado, sublinha a confiança recíproca entre os Jesuítas e o casal, construída num tempo que serviu para «criar uma relação», e que agora se traduz num compromisso.

Para os dois, crescidos na comunidade de Mexilhoeira Grande, a tarefa na paróquia de Odiáxere é a prossecução de um caminho, de um serviço à Igreja, um novo “sim” ao chamamento de Deus. Mas é também o testemunho de um valor acrescentado a dar a conhecer às novas gerações, «cada vez mais acomodadas e com muitos medos». Na Igreja, prosseguem, «há outros caminhos, uma diversidade de vocações: a vindima é grande, e por isso não podemos ficar parados».



Em 2015, o então provincial dos Jesuítas, José Frazão Correia, observava como a Igreja deveria «ousar explorar outros caminhos», exprimindo o desejo do instituto de «tentar uma outra via de presença», ajudando a Igreja diocesana a empreender percursos que «não se baseiem simplesmente na presença do pároco»



Para o P. Domingos da Costa, jesuíta, pároco em Odiáxere entre 1981 a 1985, esta opção é importante, de maneira a que «os próprios cristãos se deem conta para que serve o diácono, até agora visto como uma espécie de acólito ao lado do bispo ou do pároco no altar».

Na realidade, recorda D. Manuel Quintas, a utilização dos leigos com uma formação adequada, acreditados ao serviço paroquial, «não como pastores», mas «como animadores da comunidade», já está a acontecer nas igrejas mais jovens privadas da presença fixa de um sacerdote. É um serviço que anima a comunidade do ponto de vista pastoral, em particular anunciando a Palavra, diz o bispo do Algarve, mas ao diácono pede-se também a dedicação às atividades caritativas, exercer as funções litúrgicas, administrar o Batismo, presidir aos Matrimónios e funerais.

A novidade da experiência de Odiáxere é, como foi referido, a identificação com a Companhia de Jesus. Em 2015, o então provincial dos Jesuítas, José Frazão Correia, observava como a Igreja deveria «ousar explorar outros caminhos», exprimindo o desejo do instituto de «tentar uma outra via de presença», ajudando a Igreja diocesana a empreender percursos que «não se baseiem simplesmente na presença do pároco».

Testemunho recolhido do atual provincial dos Jesuítas, P. Miguel Almeida, para quem esta opção «tenta responder à visão do concílio Vaticano II, que augurava uma Igreja mais participativa, com um papel ativo dos leigos, vistos não como simples destinatários. Procuramos caminhar na estrada do papa Francisco, que nos convida a considerar como o tempo é superior ao espaço, e como é necessário, para levar por diante um projeto, esperar o Espírito Santo», conclui.


 

Giovanni Zavatta
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Folha do Domingo/Samuel Mendonça
Publicado em 14.12.2020

 

 
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