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Cinema: Jornal do Vaticano dá os parabéns a Francis Ford Coppola pelos 80 anos

Parabéns Mister Francis Ford Coppola seus oitenta anos [7 de abril] e por todos os filmes que o seu génio nos presenteou: “O padrinho” e “O padrinho II”, “O vigilante” e “Apocalypse now”, e com isto concentrámos nos anos 70 quatro obras-primas, e poderíamos continuar, mas queria indicar três títulos considerados “menores”, trêsw filmes que o mestre realizou de seguida no espaço de três anos, 1986 a 1988; “Peggy Sue casou-se”, “Jardins de pedra” e “Tucker”.

Aqui estamos nos “terríveis” anos 80, nada a ver com a década anterior, que tinha visto o advento de uma nova geração de grandes realizadores, entre eles o próprio Coppola, juntamente com Scorsese, De Palma, Spielberg, Lucas, Cimino, Friedkin…

No entanto, estes três filmes pequenos pequenos não são apenas muito belos, mas dizem-nos alguma coisa de ontem e de hoje, sobre o país que Coppola amou e narrou como poucos, os Estados Unidos da América.

O primeiro e o terceiro recordam as velhas comédias de Frank Capra, outro esplêndido génio ítalo-americano, e entre os dois há o pranto dolente, de tragédia grega) Coppola é um autor trágico, veja-se a trilogia do “Padrinho”), sobre a guerra do Vietname, já cantada em “Apocalypse now”.

Coppola canta os valores americanos, a família em “Peggy Sue casou-se”; os erros americanos, “Jardins de pedra”, o sonho americano em “Tucker”, talvez o seu filme mais autobiográfico, no qual o génio de um empreendedor-sonhador embate contra o sistema de poder das grandes indústrias. Faria impressão, faria bem precisamente aos americanos, voltar a ver aquele pequeno grande filme, hoje na era de Trump e do auto-isolacionismo.

Coppola anunciou querer voltar à realização, e o seu regresso poderá ser o sinal de um despetar de que o cinema e a sociedade americana precisam, visto que o cineasta revelou-se recentemente insatisfeito com a atual produção cinematográfica nos EUA, afirmando que os filmes dos últimos anos parecem ser feitos «com o “Viagra” ou com o “Valium”».

Máxima excitação, máxima sedação, dois efeitos aparentemente opostos, mas que produzem a mesma consequência: aturdimento, distração, para o dizer com uma das suas mais célebres frases, «são as duas faces da mesma hipocrisia».


 

Andrea Monda
Diretor de "L'Osservatore Romano"
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 08.04.2019

 

 
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