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Japão condecora antigo bibliotecário e arquivista do Vaticano

O governo japonês vai conferir a Ordem do Sol Nascente, classe Estrela de Ouro e Prata, uma das mais importantes condecorações do país, ao cardeal Raffaele Farina, pela sua contribuição para a amizade entre o Japão e o Vaticano, anunciou hoje a embaixada nipónica na Santa Sé.

O prelado, responsável pela Biblioteca e Arquivo Secreto do Vaticano entre 2007 e 2012, cargo ocupado atualmente por D. José Tolentino Mendonça, trabalhou durante vários anos para fortalecer as relações entre os dois estados.

A contribuição do cardeal italiano de 85 anos foi particularmente importante na reorganização dos documentos históricos do período Edo, incluindo os relacionados com a proibição do cristianismo na antiga província de Bungo, recolhidos pelo missionário italiano Mário Marega.

Os cerca de 10 mil documentos descrevem a presença e a perseguição à comunidade católica do Japão, cobrindo entre os séculos XVII e XIX, que o religioso levou para o Vaticano na década de 1940, permanecendo intocados até 2010, quando foram redescobertos pelo investigador Delio Proverbio.



A documentação inclui relatórios oficiais do ritual em que os cristãos eram forçados a pisar num crucifixo ou em imagens de Jesus e Maria para provar que tinham renunciado à fé, tal como é mostrado no filme “Silêncio”, do realizador Martin Scorsese



A Biblioteca assinou em 2014 um contrato de seis anos com quatro instituições históricas japoneses para traduzir e catalogar os textos, redigidos em frágil papel de arroz.

O primeiro documento, de 1719, menciona a chegada do cristianismo ao Japão em 1549, através de missionários jesuítas. Um dos relatos regista a visita de quatro nobres japoneses a Roma, em 1585, para assistir à eleição do papa Sisto V, atestando a importância que o cristianismo adquiriu no país.

Outros documentos referem-se à perseguição da nova comunidade, e descrevem detalhadamente o martírio de 26 cristãos de Nagasaki, culminando com a proibição do cristianismo em 1612.

Os textos, que constituem a maior coleção de documentos do género, revelam que as autoridades japonesas forçaram o desaparecimento do cristianismo, confiando aos budistas a tarefa de registar e documentar quando um cristão renunciava à sua fé ou morria.

A documentação prova também que o arquivo civil de Bungo recebeu relatórios oficiais do ritual “fumi-e”, no qual os cristãos eram forçados a pisar num crucifixo ou em imagens de Jesus e Maria para provar que tinham renunciado à fé, tal como é mostrado no filme “Silêncio”, do realizador Martin Scorsese.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Asia News
Imagem: Mons. Cesare Pasini, prefeito da Biblioteca Apostólica do Vaticano, com a documentação "Marega" | D.R.
Publicado em 23.05.2019

 

 
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