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Cinema: “In viaggio”, um retrato do papa Francisco através das suas viagens

A 16.ª Festa do Cinema Italiano apresenta a 2 de abril, em Lisboa, “In viaggio”, documentário de 80 minutos realizado em 2022 pelo cineasta Gianfranco Rosi, em torno às 37 viagens apostólicas realizadas pelo papa Francisco.

Ama o cinema, mas não o vê há anos. A sua figura, ao mesmo tempo, não cessa de atrair e encantar o olhar de grandes artistas. Conhecedor e apaixonado pelo cinema, das narrativas sociais do neorrealismo italiano, na entrevista ao P. Dario E. Viganò (“Lo sguardo: porta del cuore”, Effatà 2021), o papa Bergoglio declarou que «os filmes do neorrealismo formaram-nos o coração e continuam a poder fazê-lo».

Vendo bem, esta é precisamente a linha que nos permite aproximar-nos do filme do realizador Gianfranco Rosi, “In viaggio”, retrato do papa Francisco através das suas missões apostólicas.

Apresentado na Mostra de Cinema da Bienal de Veneza, fora de concurso, o documentário propõe uma síntese do peregrinar do papa em quase dez anos de pontificado.
«O filme é o retrato de um homem que nos faz olhar para mais longe e refletir sobre temas universais», declarou o cineasta.

Ao longo dos anos, Rosi impôs-se como um trovador dos excluídos, coroado nos principais festivais, de Veneza, com o Leão de Ouro por “Sacro G.R.A.” (2013), a Berlim, com o Urso de Ouro por “Fuocoammare” (“Fogo no mar”, 2016, também nomeado para o Óscar), não esquecendo o regresso ao Lido com “Notturno” (“Noturno”, 2020), instantâneo sobre populações as terras martirizadas entre o Iraque, Curdistão, Síria e Líbano.



Poucos anos após o retrato composto pelo realizador alemão Wim Wenders, “Papa Francisco. Um homem de palavra” (2018), Rosi mostra o papa sobre a linha de fronteira, propenso ao ato de encontrar a humanidade exaurida e curvada pela vida



Rosi aproximou-se à figura e ao pontificado de Francisco com o desejo de narrar o seu compromisso a favor dos excluídos, expressão de uma Igreja em campo. Um samaritano, antes ainda que um pastor. Uma figura-farol no horizonte do compromisso humanitário.

Com acesso a gravações colocadas à disposição pelo Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, o «o primeiro desafio» encontrado por Rosi foi «transformar em linguagem cinematográfica filmagens realizadas para exigências televisivas».

E acrescenta: «À medida que a montagem progredia, amadurecia, no entanto, a necessidade de fazer dialogar a narrativa das viagens do papa com materiais de arquivos históricos e com os fragmentos de alguns dos meus filmes».

Com esta metodologia, Rosi (re)compôs, com um olhar analítico e emocional, o trajeto do papa Francisco nas suas 37 viagens apostólicas. Combinando, com um conseguido “mash-up”, material de arquivo do Vaticano com filmagens inéditas do realizador, convidado para seguir algumas das missões papais, “In viaggio” segue uma linha precisa que se centra nos temas do pontificado de Francisco: periferias, pobreza, solidariedade, diálogo, cuidado pela criação, migrações e uma firme condenação da guerra.

Após as narrativas das periferias urbano-existenciais e as dos países em guerra, Rosi tenta um passo em frente, confirmando o raconto com a marca do compromisso civil, procurando encontrar uma chave narrativa respeitosa e simultaneamente pessoal.



Recuperando a visão neorrealista, “In viaggio” convence e envolve pela maneira como segue o papa Francisco nas trincheiras da vida. O autor compõe um retrato sentido e vibrante, quase um manifesto “político” dos direitos dos esquecidos



Poucos anos após o retrato composto pelo realizador alemão Wim Wenders, “Papa Francisco. Um homem de palavra” (2018), Rosi mostra o papa sobre a linha de fronteira, propenso ao ato de encontrar a humanidade exaurida e curvada pela vida.

Passa-se da primeira viagem apostólica a Lampedusa, a 8 de julho de 2013, depois da enésima tragédia no mar – onde afirma para todos escutarem: «Neste mundo da globalização caímos na globalização da indiferença. Habituámo-nos ao sofrimento do outro –, à visita aos territórios martirizados do Iraque, a 7 de março de 2021, onde faz um apelo contra a guerra: «Reafirmamos a nossa convicção de que a fraternidade é mais forte que o fratricídio, que a esperança é mais forte que a morte, que a paz é mais forte que a guerra».

Recuperando a visão neorrealista, “In viaggio” convence e envolve pela maneira como segue o papa Francisco nas trincheiras da vida. Talvez o filme arrisque a sofrer um pouco de “falta de originalidade”, devido ao recurso a episódios e filmagens bastante conhecidas, porque Francisco é um pontífice mediático, abundantemente narrado.

O autor, porém faz de tudo para evitar o já visto, o fácil, ao mesmo tempo que se desembaraça de fazer do papa a figura de um “santinho”, compondo um retrato sentido e vibrante, quase um manifesto “político” dos direitos dos esquecidos. Recomendável, poético, próprio para debates.

Além de Lisboa, o filme é exibido, no âmbito da programação da 16.ª Festa do Cinema Italiano, em Coimbra (13 de abril), Setúbal (16 de abril), Aveiro (10 de maio) e Lagos (18 de maio), com legendas em português. A estreia no circuito comercial no grande ecrã está prevista para 20 de julho.

Na Festa do Cinema Italiano será também exibido "Dante", de Pupi Avati, que narra «a vida atormentada» do autor de "A divina comédia", «desde a infância solitária até à morte no exílio, vista através dos olhos de Giovanni Boccaccio, outro gigante da literatura italiana» (sinopse).














 

In Comissione Nazionale Valutazione Film della Conferenza Episcopale Italiana
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 21.03.2023

 

 

 
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