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Iluminura em Portugal revelada na revista "Invenire"

Imagem Capa (det.) | D.R.

Iluminura em Portugal revelada na revista "Invenire"

O primeiro número temático da revista "Invenire", publicada pelo Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, é totalmente dedicado ao estudo sobre manuscritos iluminados em Portugal.

«O conjunto de estudos abrange aspetos distintos desta arte de ilustrar o livro manuscrito na Idade Média, arte que é, sem dúvida, também ela, uma imagem e um símbolo que associamos ao papel e à presença da Igreja na história da cultura escrita da época medieval», escreve a coordenadora desta edição, Fernanda Maria Guedes de Campos.

Os exemplos apresentados são enquadrados por uma «investigação rigorosa» que ajuda o leitor a «desvendar saberes, estilos, modelos de uma expressão artística que se desenrola ao longo de séculos, revelando influências várias e desvendando, no limite, a relação entre o espiritual e o material».

Por seu lado, Maria Adelaide Miranda explica que «"iluminare" é a designação que a cultura medieval escolheu para nomear a ornamentação dos manuscritos», sendo «através da cor e sobretudo da luz que a estética nos tempos do românico e do gótico se expressa».

 

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«Obras de grande valor serviram de presentes em casamentos reais e foram deixados em testamento, junto com joias e propriedades», refere a investigadora, acrescentando que a iluminura se afirmou «em todo o seu esplendor enquanto embelezamento do texto» mas também para «facilitar a leitura», por exemplo através de imagens «fortes e expressivas» que reenviavam o leitor para conteúdos específicos.

«No Portugal dos séculos XII-XIII, tal como na restante Europa, os mosteiros são os responsáveis pelo desenvolvimento desta arte que o cristianismo acolheu e expandiu. As bibliotecas monásticas produziram e conservaram durante muito tempo estes obkjetos preciosos que hoje nos permitem apreciar uma arte que, em Portugal, se apresenta como a única arte da cor», escreve Maria Adelaide Miranda, antes de assinalar que «a partir do século XIII, o renascimento do mundo urbano e a criação das universidades deu novo impulso à produção de livros, estimulada por destinatários mais diversificados».

É durante a monarquia de Avis que a produção laica se afirma, embora durante esse período «o conjunto mais importante» dos livros que chegaram a Portugal, «de que se destacam os Livros de Horas, é importado dos grandes centros produtores, como França, Borgonha e Flandres».

 

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No primeiro dos 14 artigos, Maria Coutinho propõe um "Comentário aos Livros de Reis de Rábano Mauro", oferecido em 823 ao imperador Luís, o Pio, enquanto que Luís Correia de Sousa apresenta "O iluminado 51 da Biblioteca Nacional de Portugal - Uma Bíblia portátil do século XIII".

Alicia Miguélez Cavero descreve um conjunto de manuscritos comummente comhecidos como "Beatos", cópias de um "Comentário ao Apocalipse", e Catarina Barreira analisa "Os livros das Sentenças de Pedro Lombardo na Biblioteca de Alcobaça".

 

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"As Ilustrações do Cânon - A propósito dum Breviário e Missal de Santa Cruz" é o tema avançado por Horácio Augusto Peixeiro, ao passo que Catarina Martins Tibúrcio revela "As técnicas e os estilos na iluminuta da Crónica Geral de Espanha de 1344 e a representação da Igreja de Santo Isidoro de Leão".

A edição prossegue com "Iluminar no feminino - O 'scriptorium' do Mosteiro de Jesus de Aveiro no final do século XV" (Paula Freire Cardoso), "'Entre os Judeus Portuguezes e Espanhoes corriaõ algumas Traducções' - A Bíblia da Ajuda, um maniscrito em romance de iniciativa judaica" (Tiago Moita).

 

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"A Escola de Lisboa de iluminura hebraica" (Luís Urbano Afonso), "O cofre n.º 24 - Um livro de horas do Palácio Nacional de Mafra: caso de estudo e de intervenção" (Ana Lemos, Rita Araújo, Conceição Casanova), "A iconografia das margens no Livro de Horas dito de D. Leonor" (Delmira Espada Custódio), "Um exemplo da circulação dos manuscritos jurídicos iluminados na Europa medieval" (Maria Alessandra Bilotta) e "'Tempus (non) Fugit' - O calendário medieval nos manuscritos iluminados em Portugal" (Joana Antunes) completam as 130 páginas da revista.

 

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Rui Jorge Martins
Imagens: "Invenire", número especial 2015
Publicado em 18.09.2015

 

 

 
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Os exemplos apresentados são enquadrados por uma «investigação rigorosa» que ajuda o leitor a «desvendar saberes, estilos, modelos de uma expressão artística que se desenrola ao longo de séculos, revelando influências várias e desvendando, no limite, a relação entre o espiritual e o material»
«"Iluminare" é a designação que a cultura medieval escolheu para nomear a ornamentação dos manuscritos», sendo «através da cor e sobretudo da luz que a estética nos tempos do românico e do gótico se expressa»
«Obras de grande valor serviram de presentes em casamentos reais e foram deixados em testamento, junto com joias e propriedades», refere a investigadora, acrescentando que a iluminura se afirmou «em todo o seu esplendor enquanto embelezamento do texto» mas também para «facilitar a leitura»
«No Portugal dos séculos XII-XIII, tal como na restante Europa, os mosteiros são os responsáveis pelo desenvolvimento desta arte que o cristianismo acolheu e expandiu. As bibliotecas monásticas produziram e conservaram durante muito tempo estes obkjetos preciosos que hoje nos permitem apreciar uma arte que, em Portugal, se apresenta como a única arte da cor»
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