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Histórias da Bíblia para ler e pensar

Das histórias do Antigo Testamento escolhidas e reescritas por Alice Vieira, com ilustrações de Carla Nazareth, apresentamos a que corresponde ao livro bíblico de Rute.

Era um tempo de grandes fomes e privações.

Uma mulher, de seu nome Noemi, que vivia em Belém de Judá, deixou a sua terra e partiu com seu marido Elimelec e seus filhos Maalon e Quelion, na tentativa de encontrar melhor lugar onde pudessem tratar da terra, cuidar dos animais, louvar a Deus, viver em paz.

Os caminhos eram pedregosos, o ar cheirava a pó, era difícil resistir muito tempo.

E Elimelec não resistiu e morreu.

— Continuaremos em busca de melhor vida — disse Noemi.

E ao fim de muito tempo chegaram à terra de Moab.

— Ficaremos aqui — disse ela. — Aqui construiremos de novo a nossa casa.

E cada um foi fazer pela vida.

E cada um encontrou sua mulher.

E a mulher de Maalon chamava-se Orfa.

E a de Quelion chamava-se Rute.

Durante dez anos, Noemi, Maalon, Quelion, Orfa e Rute trataram da terra, cuidaram dos animais, louvaram a Deus, viveram em paz.

Mas um dia Maalon e Quelion morreram.

E que podiam fazer naquele tempo três mulheres sozinhas, sem parentes a quem pedir ajuda?

— Vou regressar a Belém — disse Noemi. — Já cumpri a minha vida, já pouco mais tempo me resta. Mas vós, minhas filhas, ainda tendes muita vida por viver. Não precisais de me seguir. Esta é a vossa terra, ide bater à porta de vossas mães, dizei-lhes que vossos maridos morreram e pedi-lhes abrigo.

Orfa beijou Noemi, prometeu que nunca a esqueceria e desapareceu pelas ruas da cidade.

Mas Rute não lhe seguiu o exemplo.

— Nada me fará separar de ti — disse para Noemi. — O meu lugar é ao teu lado. Onde quer que vás, eu vou contigo. Onde poisares à noite, poisarei eu também. E o teu nome será o meu nome. E o teu povo será o meu povo. E o teu Deus será o meu Deus. Até ao fim da vida.

Então Noemi e Rute deixaram a terra de Moab e seguiram juntas até Belém.

E de novo enfrentaram fomes e privações.

E os caminhos eram pedregosos, o ar cheirava a pó, e era difícil resistir muito tempo.

Mas nunca Rute abandonou Noemi.

Até que chegaram a Belém de Judá.

— Esta é a tua pátria — murmurou Rute — e agora esta será também a minha pátria.

Estava um dia Rute a apanhar espigas num campo, quando Booz, o dono do campo, a descobriu. Preparavam-se os trabalhadores para expulsarem aquela estrangeira, mas Booz, que era homem bom e se encantara com os doces olhos da estrangeira, chamou-os e perguntou-lhes:

— Sabeis de quem se trata?

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— É uma estrangeira da terra de Moab. Veio com Noemi e com ela vive. Desde que aqui chegou, não parou de trabalhar.

Então Booz ordenou-lhes que a deixassem colher todas as espigas que quisesse e matar a sede quando precisasse.

— Por que fazes isso por mim, que sou uma estrangeira? — perguntou-lhe Rute.

— Porque já me contaram a tua história. Que Deus recompense o bem que fizeste!

Booz era homem avançado em anos, viúvo e sem filhos. E ficou a olhar para a estrangeira, e teve muita pena de não ser mais jovem.

À noite, Rute chegou junto de Noemi e partilhou com ela todo o cereal que levava.

— Onde colheste tantas espigas? — perguntou Noemi.

— No campo de Booz — respondeu Rute.

— Foi Deus que o colocou no teu caminho! — exclamou Noemi. — Booz ainda pertence à nossa família, e é um homem bom. Pela nossa lei, pode resgatar a mulher viúva do seu parente.

Rute não entendeu.

Noemi explicou melhor:

— Pode tomar-te por mulher, para que possas ter filhos, e conservar a herança, e continuar a família, e para que o nosso nome não seja eliminado da cidade.

Então, nessa noite Rute foi ao encontro de Booz, que dormia na eira.

Deitou-se silenciosamente junto dele e adormeceu.

E Booz teve um estranho sonho em que um anjo lhe prometia nova vida e longa descendência, apesar de avançado em anos.

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Quando acordou, surpreendido ainda com o estranho sonho, mais surpreendido ficou ao ver deitada a seu lado a estrangeira que na véspera andara a colher espigas no seu campo.

Ela olhou para ele e sorriu.

— O meu nome é Rute — disse-lhe —, venho da terra de Moab, sou viúva do teu parente Quelion. Voltei para Belém e vivo com Noemi, por isso agora esta terra também é a minha terra, e a tua família é a minha família. E as tuas leis serão as minhas.

Booz olhou-a bem de frente e logo ali desejou tomá-la para sua mulher. Mas sabia que era homem avançado em anos e, além disso, em Belém vivia outro parente, mais novo e, segundo a lei, com mais direitos do que ele.

Booz era homem justo e, apesar de se ter agradado de Rute desde o momento em que a vira a colher espigas no seu campo, não queria ir contra a lei.

Cortava-lhe o coração separar-se de Rute — mas lei era lei. E ela muito possivelmente iria até preferir o parente mais novo.

Reuniram-se todos os sábios de Belém às portas da cidade, para discutirem o assunto.

A meio da discussão apareceu o parente mais novo.

Saudou toda a gente — mas declarou que não queria perturbar a felicidade de duas pessoas justas e, se aquele fosse o desejo de Booz, ele desistiria do direito que a lei lhe dava.

Booz poderia fazer o que o seu coração ditasse.

Booz olhou para Rute, com algum receio, mas Rute sorriu e, diante daquele sorriso, os receios evaporaram-se como a água da chuva.

E Booz casou com Rute,
e tiveram um filho,
e Noemi foi viver com eles,
e tratava do neto com tanto amor que as mulheres da aldeia riam e diziam:

— Nasceu um filho a Noemi!

Porque Rute também era mulher de palavra e, tal como prometera, onde quer que Noemi estivesse, ela estaria com ela, e o seu povo seria o seu povo, e o seu Deus seria o seu Deus.

Com Booz a seu lado.

Para a vida inteira.»

 

 

 

Alice Vieira (texto), Carla Nazareth (ilustrações)
In Histórias da Bíblia para ler e pensar, ed. Oficina do Livro
20.05.13

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Capa

Histórias de Bíblia
para ler e pensar

Autora
Alice Vieira
Carla Nazareth (ilustr.)

Editora
Oficina do Livro

Ano
2012

Páginas
56

Preço
12,51 €

ISBN
978-989-741-0031

 

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