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Investigação

História da Igreja de Lamego

A obra “História da Igreja de Lamego”, do padre Joaquim Correia Duarte, foi distinguida pela Academia Portuguesa da História com o Prémio Prof. Doutor Pedro da Cunha e Serra.

O volume com mais de 700 páginas abarca temas como as origens, espaços, instituições e espiritualidade.

Na sessão de apresentação, que decorreu em julho, o bispo diocesano, D. António Couto, felicitou o autor, sacerdote da diocese lamecense, por se ter envolvido numa «teia de muitos séculos, de muitos fios, de muitos nomes e de muitos acontecimentos».

A obra, que o prelado considera um instrumento «indispensável» para se poder aceder à identidade da diocese, situa os leitores no final «de um longo e intenso caudal de vida cristã e de cultura».

«É assim que este livro é um rio, cujo caudal mingua ou engrossa, não em linha reta, mas atravessando outeiros e vales, arrastando toda a espécie de bens materiais, culturais e espirituais, que adubam os nossos campos e enriquecem a nossa vida cultural e eclesial», apontou D. António Couto.

No preâmbulo, o padre Correia Duarte (n. 1940), membro da Academia Portuguesa de História, propõe-se «fazer uma história da diocese, global e simples, concentrada e abrangente, acessível e atualizada», sintetizando os dados recolhidos por outros investigadores, cujas obras ou eram praticamente inacessíveis ou demasiado extensas.

A pesquisa historiográfica na diocese de Lamego ficava-se até agora pelo século XVIII, pelo que o autor fez um «trabalho de pioneiro», nas palavras de D. António Couto, desde então até à atualidade.

A sessão de entrega do prémio ocorre a 4 de dezembro, às 15h00, na sede da Academia Portuguesa da História, em Lisboa.

Apresentamos seguidamente excertos da introdução (omitindo as notas de rodapé) e o índice do volume, que pode ser adquirido na Gráfica de Lamego, no Paço Episcopal, no Museu de Lamego e no Museu Diocesano, ao preço de 20,00 euros.

 

Introdução

Há quem pense que Lamego, por não ter na sua sede uma capital de distrito e ter sofrido ao longo dos séculos os custos da interioridade, é uma diocese pequena e pobre, modesta e apagada. De facto, na área e na população, há-as muito maiores.

Integrando catorze concelhos (12 do distrito de Viseu e 2 - Mêda e Foz Côa - do da Guarda), a diocese situa-se entre as confluências dos rios Douro, Côa e Paiva, é composta por 223 paróquias, todas situadas a sul do Douro e nela, numa área de 2.900 km2, residem atualmente 134.722 habitantes.

Contudo, a vetustez da sua história, a nobreza dos seus bispos, a profusão do seu espólio documental, a beleza das suas paisagens, a grandiosidade dos seus monumentos, a riqueza do seu património artístico e, sobretudo, a estatura humana e cristã dos seus homens e mulheres fazem dela uma das dioceses mais ilustres do país.

Para fazermos uma pequena ideia do património artístico da diocese, basta recordarmos as diversas exposições de arte sacra que se realizaram em cada um dos arciprestados em 1976, na celebração dos centenários da diocese, e as que se realizaram no Museu da cidade, com relevo para a de Outubro de 1950 – o Ano Santo – na ocasião do Congresso Diocesano de Catequese, abrangendo o que de melhor exis­te na diocese, nos campos da estatuária, da pintura e da paramentaria, e para a de 1958, só de pintura, realizada no âmbito das comemora­ções do XXV aniversário da Ação Católica. De relevar ainda dois inventários do património religioso que até este momento se realizaram na diocese: o do Arciprestado de Foz Côa no ano 2000, por iniciativa dos párocos, abrangendo cinco mil peças estudadas, algumas do século XIII, e o dos arciprestados de Tarouca e e de Lamego, levados a cabo em 2006.

Se nos reportarmos ao acervo documental, embora disperso por diversos arquivos e bibliotecas do país, com relevo para a Biblioteca Nacional de Lisboa e para a Biblioteca Municipal do Porto, para o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e para o Arquivo Diocesano em Lamego, podemos considerar-nos uma diocese verdadeiramente privilegiada.

Para além dos pergaminhos pertencentes à Igreja de Lamego no espólio da Biblioteca Nacional de Lisboa (missais, lecionários, antifonários) que vão do século VIII ao século X, e de vários códices que estão no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, entre os quais avultam o Pontifical da Sé(do séc. XII /XIII) e o “Martirológio-Necrológio Antigo, (2 volumes renunidos num só), são de valor inestimável todos os outros documentos dos Cartórios da Mitra e do Cabido que foram levados para Lisboa na altura da República, encaixo­tados, em quatro remessas (…).

O mais antigo testemunho escrito que se conhece sobre Lamego, para lá dos referidos códices e coleções, é de 1416. Trata-se do manuscrito “De Ministerio Armorum” scrPe. Anno MCCCCXVI (28 da John Rylands Library - Manchester) e vem transcrito, em Latim e Português, no “Livro dos Arautos” – um estudo codicológico e texto crítico do manuscrito feito e publicado pelo Académico Aires Augusto do Nascimento, em 1977, em Lisboa, como dissertação para o seu doutoramento em linguística na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. (…)

Para além deste, com poucas informações, temos ainda ao nosso dispor vários textos manuscritos de homens de algum modo ligados a Lamego, que cuidaram de nos dar uma imagem da cidade e da diocese, cada um na sua época. Trata-se de pequenas monografias que abrangem temas tão diversos como população e património, produções e rendimentos, lendas e tradições. (…)

Em 1758, na sequência do terramoto de 1755, os párocos da diocese, uns com grande cuidado e outros com muito desmazelo, responderam a um tríplice questionário chegado de Lisboa, com 60 perguntas no total, e as suas respostas, manuscritas, guardadas no Arquivo Na­cional da Torre do Tombo em 41 volumes, com o título comum de “Memórias Paroquiais”, são hoje de enorme interesse para conhecermos a diocese e cada uma das suas paróquias nesses tempos. Trata-se de facto de pequenas monografias relativas a cada uma das paróquias. (…)

Tivemos além disso, ao longo dos tempos, homens da diocese ou interessados por ela, cujas obras foram impressas e publicadas e das quais também podemos agora socorrer-nos. (…)

De relevar ainda algumas monografias locais dentro da área da diocese, com relevo para as de Vasco Moreira, de Fonseca da Gama e de Bento da Guia.

Tivemos ainda a sorte de ter havido na diocese publicações periódicas quase ininterruptas de 1889 até aos nossos dias, nomeadamente, a “Revista Eclesiástica de Lamego”, de 1889 a 1890, o “Boletim da Diocese de Lamego”, de 1915 a 1936, e “Voz de Lamego”, de 1930 até hoje. Sem essas publicações, não seria possível a ninguém fazer a história da diocese nos últimos dois séculos. 

 

Índice

1. As origens
1. A primeira evangelização
1.2-A instituição da diocese
1.3-Os tempos difíceis
1.4-Os novos tempos

2. Os espaços
2.1-A Área de Jurisdição
2.2-A província eclesiástica

3. As instituições
3.1-Mitra
3.2-A Cúria
3.3-O Cabido
3.4-As Paróquias
3.5-As Colegiadas
3.6-Os Seminários
3.7-As Ordens Religiosas

4. As pessoas
4.1-Os Bispos
4.2-O Clero Diocesano
4.3-Os Religiosos
4.4-Os Fiéis Leigos

5. As estruturas
5.1 Os Edifícios Religiosos da Cidade
1-A Basílica de S. Pedro de Balsemão
2-A Catedral
3-A Igreja de Almacave
4-A Igreja das Chagas
5-A Igreja de Santa Cruz
6-A Igreja de S. Francisco
7-A Igreja da Graça
8 -A Igreja da Senhora do Desterro
9-A Capela do Espírito Santo
10-A Capela da Senhora dos Meninos
11-A Capela da Senhora da Esperança
12-Capela de S. Lázaro
13-O Santuário da Senhora dos Remédios
14-O Paço Episcopal
15-O Museu de Lamego
16-O caso da “Bíblia de Lamego”
17-Seminários
18-O Hospital da Misercórdia
19-Gráfica de Lamego
20-A Casa de Retiros e o Lar Sacerdotal
21-O Centro Apostólico
22-O Arquivo e Museu Diocesano

5.2 Outros Templos da Diocese
A - As igrejas românicas
1-Capela de S. Pedro das Águias
2-Igreja de S. Miguel de Armamar
3-Igreja de S. Pedro de Tarouca
4-Igreja de S. João de Sernancelhe
5-Igreja de Santa Maria de Barcos
6-Igreja de S. Martinho de Mouros
7-Igreja de Santa Maria da Ermida
8-Igreja de Santa Maria de Barrô
9-Igreja de Santa Maria de Tarouquela
10-Igreja de Santa Maria de Cárquere
11-Capela de Santa Maria de Sabroso

B - As igrejas das vilas e outras de especial valor arquitetónico
1-Igreja de S. Cristóvão de Nogueira
2-Igreja de Fonte-Arcada
3-Igreja S. Miguel de Escamarão
4-Igreja de Vila Nova de Paiva
5-Igreja de S. Salvador de Resende
6-Igreja de Santa Marinha de Trevões
7-Igreja de Vila Nova de Fozcôa
8-Igreja da Misericórdia da Pesqueira
9-Igreja do Convento de Moimenta
10-Igreja de S. Bento da Mêda
11-Igreja de Santa Maria de Tabuaço
12-Igreja de S. João de Cinfães
13-Igreja de S. João da Pesqueira
14-Igreja de S. Pedro de Penedono
15-Igreja de S. Pedro de Castro Daire
16-Igreja de S. João de Moimenta da Beira
17-Santuário da Senhora da Lapa
18-S. Salvador do Mundo, na Pesqueira
19-S. Domingos de Fontelo

C.- As igrejas novas

6. Espiritualidade e vida cristã
6.1-O Domingo e as festas
6.2-O preceito pascal
6.3-O jejum e a abstinência
6.4-O culto eucarístico
6.5-A devoção a Nossa Senhora
6.6-A devoção ao Sagrado Coração de Jesus
6.7-A devoção a São José
6.8-Preces, clamores, ladainhas, romarias e peregrinações
6.9-Os ex-votos
6.10-Os Legados pios
6.11-O culto dos mortos e a devoção às Almas do Purgatório
6.12-As Festas e as procissões
6.13-A Quaresma e a Semana Santa
6.14-A Via-Sacra e os Calvários
6.15-A evangelização e a catequese
6.16-As Confrarias e as irmandades
6.17-A espiritualidade da família
6.18.-A pastoral da juventude
6.19-A ação social da Igreja
6.20-Celebrações da Igreja Universal
6.21-As Missões Católicas
6.22-Alguns embustes
6.23-Cismas e fações
6.24–As judiarias existentes na área da diocese
6.25-Institutos ligados ao ensino
A)-O Colégio da Lapa
B)-O Colégio da Imaculada Conceição
C)-O Colégio da Ortigosa
D)-A Escola de Formação Rural
E)-Os Externatos diocesanos
6.26-Os registos paroquiais
6.27-Os jornais diocesanos
A)-A Revista Eclesiástica
B)-O Boletim Diocesano
C)-A Voz de Lamego
D)-Os jornais paroquiais
6.28-O gabinete de imprensa da diocese

Cronologia Geral dos Atos e Celebrações mais Importantes da História da Diocese

Lista Ordenada dos Bispos que Serviram a Diocese

Fontes

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 11.09.13 | Atualizado em 25.11.13

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