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Gilberto Gil e o «bálsamo», o «cais», «a fraternidade» da transcendência

«Se eu quiser falar com Deus/ Tenho que ficar a sós/ Tenho que apagar a luz/ Tenho que calar a voz/ Tenho que encontrar a paz/ Tenho que folgar os nós/ Dos sapatos, da gravata/ Dos desejos, dos receios/ Tenho que esquecer a data/ Tenho que perder a conta/ Tenho que ter mãos vazias/ Ter a alma e o corpo nus»

O poema-canção “Se eu quiser falar com Deus” (1980) vai marcar presença no alinhamento que o cantor e compositor brasileiro Gilberto Gil interpreta hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, onde, acompanhado pela sua banda, apresenta o seu mais recente disco, “Ok Ok Ok” (Alfafonte, 2018).

Entre as músicas do CD está “Prece”, evocativa da religiosidade brasileira, das religiões de raízes africanas ao cristianismo, e que exprime «apreço pela dimensão religiosa, por essa maneira de encontrar na transcendência das entidades que representam o mundo transcendental, encontrando nele um bálsamo, um cais, uma fraternidade, uma amizade, uma capacidade de nos ajudar», afirma em entrevista publicada esta sexta-feira na revista Ípsilon, do jornal Público.

«Como somos, aqui no Brasil, muito marcados pela religião católica, aparecem na canção Jesus, a Virgem Maria, bem como a companheira, ou o próximo, a quem dedicamos a nossa oração e de quem esperamos que ore por nós», explica o antigo ministro da Cultura, hoje com 77 anos.

O jornal “O Estado de São Paulo” lembra que em 2016, o músico baiano fez tratamento para a insuficiência renal: «Veio, então, a apreensão. E criou-se uma rede de amor ao seu redor, que ele, como compositor, captou e transformou em música», naquele que é «o disco mais afetivo de sua carreira».

Em “Ouço”, Gil lembra «a voz do amor fraterno/ a nos livrar do inferno latente»: «É uma música que trata da perspetiva humanista que habita os corações. É preciso atentar nesse facto que habita a humanidade, o da comunidade mundial, a comunidade de destino, como diz o Edgar Morin, que deve reproduzir um sentido maior de fraternidade, de responsabilidade mútua entre todas as pessoas».

«Os corações do mundo batendo de que fala a canção é isso, esse barulhão que fazem, essa percussão selvagem, a unidade da diversidade e a diversidade da unidade, que são conceitos importantíssimos que vêm da perceção da complexidade do mundo», sublinha.








 

Rui Jorge Martins
Fonte: Ípsilon
Imagem: D.R.
Publicado em 19.07.2019

 

 
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