

A associação católica italiana que congrega os profissionais ligados à Sétima Arte, em parceria com os Jesuítas de Pádua, realiza de 6 a 8 de fevereiro, em Bréscia, um retiro de oração que une o cinema à espiritualidade da Companhia de Jesus.
“Uma luz inesperada: exercícios espirituais com o cinema” nasce com o objetivo de oferecer a possibilidade de «viver uma experiência espiritual e pessoal muito intensa, caracterizada pela linguagem cinematográfica», refere a carta que anuncia a iniciativa.
Trata-se de uma oportunidade para a «revisão de vida, oração, fé e procura entre Bíblia e cinema segundo a tradição dos exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola», acrescenta o texto.
O cinema «pode revelar-se uma experiência profunda de conhecimento de si, de oração e de meditação», além de melhorar as capacidades pastorais dos agentes ligados ao cinema nas paróquias e movimentos, assinalam os organizadores.
«Falar do cinema é, primeiro que tudo, evocar o setor muito complexo da criatividade e da produção dos filmes. Verdadeiro diálogo é que deve estabelecer-se aqui, entre a Igreja e o mundo do cinema», frisou S. João Paulo II em 1978, poucos dias após o início do seu pontificado.
Na mensagem ao presidente da Organização Católica Internacional do Cinema, o papa polaco frisou que «as comunidades cristãs, apesar da pobreza dos seus meios, não deveriam hesitar em investir mais» nesse setor «tão importante na hora da civilização da imagem».
Referindo-se à criação de filmes, «modestos que sejam e de curta duração, que testemunhem directamente a fé da Igreja», João Paulo lembrou que antes os «santuários enchiam-se de mosaicos, pinturas e esculturas religiosas, para ensinar a fé».
«Teremos nós bastante vigor espiritual e génio, para criar "imagens móveis" e de grande qualidade, bem adaptadas à cultura de hoje? Disso dependem não só o primeiro anúncio da fé num mundo frequentemente muito secularizado ou a catequese para se aprofundar essa fé, mas também a inculturação da mensagem evangélica ao nível de cada povo, de cada tradição cultural», sublinhou João Paulo II.
Rui Jorge Martins