Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Em memória de Jean Vanier (1928-2019)

Jean Vanier, fundador d’A Arca, morreu esta noite, aos 90 anos, e o papa Francisco, desde a Bulgária, fez questão de transmitir que rezava por ele e por toda a comunidade da instituição fundada em 1964.

Nascido em Genebra, Suíça, a 10 de setembro de 1928, Vanier, de quem foi recentemente apresentado em Portugal o livro “Verdadeiramente humanos” (ed. Principia), estava enfraquecido pelo cancro, tendo passado os últimos dias numa comunidade d’A Arca próxima de Paris.

Ex-oficial da Marinha canadiana, Vanier fundou também, em 1971, o movimento Fé e Luz. Foi membro do Conselho Pontifício para os Leigos, do Vaticano, e recebeu em 2015 o prémio Templeton, um dos mais prestigiados reconhecimentos mundiais atribuídos a personalidades do mundo religioso.

Por ocasião da atribuição desta distinção, Vanier salientou que o galardão «chama a atenção para as pessoas que têm uma deficiência?. «Com efeito, o aspeto particular n’A Arca, como no Fé e Luz, é a revelação de que as pessoas com deficiência mental são pessoas super! Não desenvolveram a mente, mas têm coração!», declarou.

Em janeiro deste ano estreou nas salas francesas o documentário "Jean Vanier, o sacramento da ternura", de Fréderique Bedos.


É «necessário criar comunidades que vivam os valores do Evangelho», porque a sua mensagem é que as pessoas vivam a misericórdia: «Se tu te tornas um homem ou uma mulher de compaixão, serás semelhante a Jesus»



«E é preciso recordar – porque, infelizmente, esquecemo-lo com demasiada rapidez – que as pessoas com deficiência foram durante muito tempo consideradas mais ou menos como um castigo de Deus, como uma vergonha, e muito depressa eram enclausuradas em grandes instituições. Houve, portanto, uma espécie de revolução: nós dizemos que, muito longe de serem castigadas por Deus, são precisamente elas que podem conduzir-nos a Deus, que nos podem levar a ser mais humanos, mais abertos, mais afetuosos», declarou em entrevista à Rádio Vaticano.

Para Jean Vanier, o premio constituiu também «um estímulo para continuar a trabalhar juntos em termos inter-religiosos e ecuménicos, para continuar a encorajar as pessoas a encontrarem-se com aquelas com deficiência»: «Não só para “fazer” coisas por elas, mas para entrar em relação com elas, e descobrir que podem ajudar-nos a tornar-nos mais livres, a fazer cair os nossos preconceitos, a fazer mudar aquelas ideias segundo as quais a sociedade e a Igreja chegam até a construir escalas. O que conta é que cada um descubra que, ao entrar no Corpo místico e no coração da Igreja é preciso tornar-se mais afetuoso».

A «finalidade d’A Arca é fazer aproximar as pessoas que de facto, no plano humano, se encontram nos antípodas. As pessoas que se comprometem n’A Arca vêm de diversos contextos profissionais, têm formações diferentes, e vivem juntamente com pessoas com deficiência, e todas são assim transformadas, tornam-se mais humanas. O perigo inerente ao nosso mundo é que não haja encontro com o outro diferente, que é julgado, criticado».

Do ponto de vista espiritual, é «necessário criar comunidades que vivam os valores do Evangelho», porque a sua mensagem é que as pessoas vivam a misericórdia: «Se tu te tornas um homem ou uma mulher de compaixão, serás semelhante a Jesus».









 

Rui Jorge Martins
Fonte: Vatican News
Imagem: D.R.
Publicado em 07.05.2019

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Mais Cultura
Vídeos