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Ecologia, cinema, arte, modernismo, secularização e história na revista "Brotéria"

Imagem Capa (det.) | D.R.

Ecologia, cinema, arte, modernismo, secularização e história na revista "Brotéria"

A encíclica "Louvado sejas", do papa Francisco, o realizador Manoel de Oliveira, o Barroco, o centenário da revista "Orpheu" e a pós-secularização são alguns dos temas da mais recente edição da revista "Brotéria - Cristianismo e Cultura".

Referindo-se ao texto "Louvado sejas", Roque Cabral, professor jubilado da Universidade Católica Portuguesa, escreve no primeiro artigo deste número, intitulado "A Encíclica franciscana", que «o papa Francisco aparece mais uma vez como líder mundial única autoridade global capaz de denunciar os males e de velar pelos problemas que afetam a humanidade».

Por seu lado, Guilherme d'Oliveira Martins, refletindo igualmente sobre o documento, fria que «não é aceitável renunciar a investir nas pessoas para obter maior receita imediata. Se o que tem mais valor é o que não tem preço, as pessoas têm de estar em primeiro lugar».

O presidente do Centro Nacional de Cultura e do Tribunal de Contas sustenta que «a maximização do lucro é a base da economia que mata», pelo «urge educar para a sobriedade e para uma aliança entre a humanidade e o ambiente». «Estaremos aptos a ouvir?», questiona.

Manoel de Oliveira (1908-2015) está no foco da evocação de Carlos Capucho, que comenta alguns dos filmes do cineasta, como "Douro faina fluvial", "O ato da primavera", "Benilde e a Virgem Mãe", "Francisca", "Palavra e utopia", "Vale Abraão" e "O estranho caso de Angélica", entre outros, que enumera com brevidade.

O professor aposentado do curso de Ciências da Comunicação da Universidade Católica termina o texto com o voto de que a morte de Manoel de Oliveira «estimule nos portugueses o desejo de contacto com a obra de um autor incontornável, um mestre ímpar do cinema que se faz em Portugal».

Em "Revisitação do Barroco - Sua atualidade estética, política e social", Maria Luísa Ribeiro Ferreira refere a consideração disseminada de que o barroco pertence a «uma época passada» e que a Europa constitui o território onde esse movimento «atingiu o seu apogeu».

«Um livro de Francisco José Martínez ["Próspero en el Lanerinto. Las dos caras del Barroco"] veio pôr em causa estas apreciações, mostrando a atualidade deste movimento nas semelhanças que com ele podemos estabelecer, aponta a professora catedrática, aposentada, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e diretora da Secção de Filosofia da Sociedade Científica da Universidade Católica.

Nuno Sotto Mayor Ferrão escreve sobre o centenário da revista "Orpheu" (1915-2015), procurando «contextualizar as influências estéticas e o impacto» que a «importante revista literária e artística teve na sociedade portuguesa».

Os objetivos e os princípios que motivaram o aparecimento da publicação, as tendências modernistas e lusófonas que se espraiaram na revista, «o modo como Fernando Pessoa pressentiu (...) a missão lusófona que incumbia a Portugal» e a razão por que a "Orpheu" não chegou ao terceiro número são aqui explicadas pelo mestre em História Contemporânea.

A posição do religioso nas sociedades atuais é a proposta do artigo "A idade de Penélope: Para uma teoria da pós-secularização", assinado por José Eduardo Franco, da Universidade de Lisboa, e Nuno Estêvão Ferreira, investigador do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica.

«Constatamos que não se confirmou a modalidade das teorias obre secularização que apontava para um desaparecimento gradual do religioso», assinalam os autores, que justificam «a utilização do paradigma secularizador enquanto processo de longa duração que permitiu a reconfiguração do lugar do religioso, sem veleidades sobre posições hegemónicas ou tutelares sobre a organização social e política, mas num quadro de cooperação».

O texto é enriquecido com a mensagem de Páscoa de 2015 do primeiro-ministro inglês, David Cameron, em que é sublinhada a identidade cristã do país, a recuperação de igrejas realizada pelo seu governo e a denúncia da perseguição aos cristãos em algumas partes do mundo.

"O Padre José de Anchieta e a ação evangelizadora da Companhia de Jesus no Brasil: linguagem, catequização e conversão na primeira missão brasileira" é o estudo apresentado por Miguel Corrêa Monteiro.

«Além da catequização dos nativos», os Jesuítas sentiram que eram chamados «a criar aquilo que na época não existia: colégios que assegurassem todas as condições de vida apropriadas à formação de futuros mestres, com a condição de os mesmos ensinarem posteriormente de uma forma gratuita», conta o docente do Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

As 106 páginas da edição de julho concluem-se com a secção "Revisitando a Brotéria", com um texto do jesuíta João Mendes sobre "Os 'sonetos' de Antero" e o espaço reservado às recensões.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 17.09.2015

 

 

 
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Os objetivos e os princípios que motivaram o aparecimento da publicação, as tendências modernistas e lusófonas que se espraiaram na revista, «o modo como Fernando Pessoa pressentiu (...) a missão lusófona que incumbia a Portugal» e a razão por que a "Orpheu" não chegou ao terceiro número são explicadas neste artigo
Não se confirmou a modalidade das teorias obre secularização que apontava para um desaparecimento gradual do religioso», assinalam os autores, que justificam «a utilização do paradigma secularizador enquanto processo de longa duração que permitiu a reconfiguração do lugar do religioso, sem veleidades sobre posições hegemónicas ou tutelares sobre a organização social e política, mas num quadro de cooperação»
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