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Dizemos que queremos uma Igreja mais fiel, profética e missionária, mas depois não fazemos nada

O papa lamentou hoje, dia em que a Igreja assinala a solenidade litúrgica dos apóstolos S. Pedro e S. Paulo, a existência, entre os católicos, de abundância de palavras e boas intenções, mas escassez de ações que as realizem.

«Quantas vezes, por exemplo, dizemos que queremos uma Igreja mais fiel ao Evangelho, mais próxima das pessoas, mais profética e missionária, mas depois, no concreto, não fazemos nada», declarou.

Antes do Angelus, no Vaticano, Francisco afirmou que «é triste ver que muitos falam, comentam e debatem, mas poucos testemunham», e depois da oração destacou os setenta anos da ordenação sacerdotal do papa emérito, Bento XVI, que hoje se celebram.

«As testemunhas não se perdem em palavras, mas dão fruto. As testemunhas não se lamentam dos outros e do mundo, mas começam por si próprios. Recordam-nos que Deus não é para ser demonstrado, mas mostrado, com o próprio testemunho; não anunciado com proclamações, mas testemunhado com o exemplo. Chama-se a isto «pôr a vida em jogo”», vincou.



Quem sou Eu para ti, que escutaste a fé mas ainda tens medo de te fazer ao largo na minha Palavra? Quem sou Eu para ti, que és cristão há tanto tempo, mas, consumido pela habituação, perdeste o primeiro amor? Quem sou Eu para ti, que vives um momento difícil e precisas de ser sacudido para voltar a partir? Jesus pergunta: quem sou Eu para ti?



Pedro e Paulo «não foram admiradores, mas imitadores de Jesus. Não foram espetadores, mas protagonistas do Evangelho. Não acreditaram com palavras, mas com factos. Pedro não falou de missão, viveu a missão, foi pescador de homens; Paulo não escreveu livros cultos, mas cartas vividas, enquanto viajava e testemunhava».

«Ambos gastaram a vida pelo Senhor e pelos irmãos. E provocam-nos. Porque corremos o risco de permanecer na primeira pergunta [de Jesus: «que dizem as pessoas que Eu sou?»]: dar pareceres e opiniões, ter grandes ideias e dizer belas palavras, mas nunca nos pormos em jogo», frisou.

Depois de saber o que as pessoas diziam de si, pela boca dos apóstolos, Jesus dirigiu-lhes a mesma interrogação: e vós, quem dizeis que Eu sou? Uma pergunta que atravessa os tempos e ressoa na vida de cada pessoa e, possivelmente, não a deixa confortável.

«Quem sou Eu para ti, que escutaste a fé mas ainda tens medo de te fazer ao largo na minha Palavra? Quem sou Eu para ti, que és cristão há tanto tempo, mas, consumido pela habituação, perdeste o primeiro amor? Quem sou Eu para ti, que vives um momento difícil e precisas de ser sacudido para voltar a partir? Jesus pergunta: quem sou Eu para ti? Dêmos-lhe hoje uma resposta, mas uma resposta que venha do coração. Todos nós, digamos-lhe uma palavra que venha do coração», apontou.



«A ti, Bento, querido pai e irmão, vai o nosso afeto, a nossa gratidão e a nossa proximidade»



O testemunho de Pedro e Paulo permanece um repto a Igreja: «Incita -nos a fazer cair as nossas máscaras, a renunciar às meias medidas, às desculpas que nos tornam mornos e medíocres».

Após a oração do Angelus, Francisco recordou os setenta anos da ordenação sacerdotal do papa emérito, que hoje se assinalam: «A ti, Bento, querido pai e irmão, vai o nosso afeto, a nossa gratidão e a nossa proximidade».

«Ele vive no mosteiro, um lugar desejado para hospedar as comunidades contemplativas aqui no Vaticano, para que rezem pela Igreja. Atualmente, é ele o contemplativo do Vaticano, que gasta a sua vida a rezar pela Igreja e pela diocese de Roma, da qual é bispo emérito. Obrigado, Bento, querido pai e irmão. Obrigado pelo teu testemunho credível. Obrigado pelo teu olhar continuamente voltado para o horizonte de Deus; obrigado», disse.

Francisco lembrou que na quinta-feira, primeiro dia de julho, decorre, no Vaticano, um dia de oração e reflexão sobre o Líbano, e na mesma data festeja-se o 160.º aniversário do jornal “L’Osservatore Romano”.

«Saúdo-vos a todos de coração, peregrinos italianos e de vários países; mas hoje dirijo-me de maneira especial aos romanos, na festa dos nossos santos padroeiros. Abençoo-vos, queridos romanos. Desejo todo o bem à cidade de Roma: que, graças ao compromisso de todos vós, de todos os cidadãos, seja vivível e acolhedora, que ninguém seja excluído, que as crianças e os idosos sejam cuidados, que haja trabalho e que seja digno, que os pobres e os últimos estejam no centro dos projetos políticos e sociais. Rezo por isto. E também vós, queridíssimos fiéis de Roma, rezai pelo vosso bispo», concluiu.






 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: "S. Pedro e S. Paulo"
Publicado em 29.06.2021

 

 
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