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Dia de oração pelas vítimas de abusos sexuais: Cultura do encobrimento continua, mas há sinais encorajadores

O padre Hans Zollner, membro da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores, considera que continua a haver «um grande caminho a percorrer» na Igreja para implementar, em todas as suas estruturas, a prevenção de abusos sexuais.

«Há lugares em que a Igreja continua a negar a evidência dos abusos, protegendo os violadores, nos quais não fazemos o necessário para depurar responsabilidades quando se descobre que um bispo provincial encobriu abusos ou os negou», declarou o sacerdote jesuíta alemão em entrevista à Europa Press.

Várias conferências episcopais escolheram a primeira sexta-feira da Quaresma, que hoje se assinala, para propor o Dia de Oração pelas Vítimas e Sobreviventes aos Abusos Sexuais, num contexto em que, para muitos, a Igreja deixou de ser credível: «Perdemos a confiança das pessoas. Por isso, não podemos voltar a falhar, e é normal que sejamos objeto de um maior escrutínio».

Dois anos após o primeiro encontro internacional sobre a proteção de menores, realizado no Vaticano entre 21 e 24 de fevereiro de 2019, o responsável afirma que, «lamentavelmente», a prevenção de abusos e a sua denúncia é vista «por muitas dioceses como algo dirigido a peritos ou a quem se tem de ocupar com a roupa suja».

«Infelizmente, em muitos países não se levam a sério a prevenção e a justiça às vítimas. Dois elementos que devem ser parte integrante da cultura da Igreja», nomeadamente nas dioceses e congregações religiosas.



«Quando ainda era possível viajar, fui convidado por diversas conferências episcopais que antes não se interessavam pelo tema dos abusos, dizendo “entre nós não existe, entre nós não é preciso”, mas depois descobriram que isso não era verdade»



O religioso acentua que a Igreja, no seu todo, precisa de concretizar uma ação «sólida e consistente»: «Não se pode brincar com isto. A defesa dos mais vulneráveis deve ser o leme que nos guia».

Ainda que em muitos países a Igreja não se possa apresentar «como um modelo», ela é a instituição que em todo o mundo mais tem investido na prevenção dos abusos, embora seja também preciso «melhorar o sistema de fazer justiça às vítimas», refere o sacerdote, que destaca os efeitos positivos do encontro internacional de 2019.

«Muitos [dos participantes] deixaram Roma com um coração mudado, como muitos afirmaram publicamente, porque escutaram as vítimas, porque compreenderam que o tema da prevenção dos abusos não devia ser marginal, mas devia fazer parte integrante da missão da Igreja», assinalou, em declarações ao portal Vatican News.

A assembleia gerou uma nova consciência na Igreja: «Quando ainda era possível viajar, fui convidado por diversas conferências episcopais que antes não se interessavam pelo tema dos abusos, dizendo “entre nós não existe, entre nós não é preciso”, mas depois descobriram que isso não era verdade, e acabaram por levar muito a sério o compromisso de combater uma praga tão terrível. Uma consciencialização crescente» que está a envolver clérigos e leigos.


 

Rui Jorge Martins
Fontes: Europa Press, Vatican News
Imagem: P. Hans Zollner | Vatican News
Publicado em 19.02.2021

 

 
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