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Leitura do dia: Deixa de querer ser o melhor, faz com que o teu dom seja parte dos dons dos outros

Uma das maravilhas do corpo humano é a sua simetria. A evolução parece ter preparado os humanos para caminhar eretos ao dar ao corpo humano uma espinha centrada e distribuído o peso de ambos os lados, à frente e atrás. A estrutura binária equilibra dois braços, pernas, olhos e ouvidos para permitir um movimento gracioso em todas as direções. Os gregos celebraram a força e beleza corporal nas Olimpíadas e na estatuária, e Leonardo da Vinci revelou as proporções subjacentes do corpo ideal no seu famoso diagrama circular, “O homem vitruviano”.

No Evangelho de hoje, (Mateus 11,28-30) Jesus fala das exigências que a vida coloca aos seres humanos como de fardos do trabalho, convidando quem está cansado para ir até Ele para encontrar descanso. Ele também celebra uma espécie de simetria e equilíbrio interior ao sugerir que a vida pode ser branda quando partilhada. Ao tornar-se homem, Jesus retirou o fardo de se ser humano, mas revelou a agilidade e a beleza que a graça concede a quem vive naturalmente e em equilíbrio. Esta virtude oferece um estilo de vida situado entre extremos, o segredo da moderação em todas as coisas.

Jesus viveu uma vida extenuante e exigente, evidenciada pelas suas caminhadas a pé, para cima e para baixo ao longo das estradas acidentadas, o seu ministério atarefado entre multidões atraídas pelo seu ensinamento, e a implacável tensão do conflito com os seus críticos até ao dia da sua prisão, tortura e morte. Mesmo assim, Ele descreve o seu jugo como suave e o seu jugo leve. O segredo da sua abordagem à vida foi o ter sido «manso e humilde de coração». Ele estava em paz consigo próprio e com a Terra que percorria, apoiado pela sua unidade interior e, em particular, pela sua oferta de comunidade.

Com efeito, até o ser humano perfeito está incompleto se permanece sozinho. Os nossos corpos são complementares, desenhados para serem interdependentes fisicamente e socialmente. Existimos em comunidade, extraímos a nossa identidade dos nossos relacionamentos, encontramos vida em unidades familiares, completamo-nos uns aos outros ao contribuirmos com diferentes dons para um todo que é maior do que qualquer indivíduo. Aqueles que se isolam e se elevam a si próprios como homens que se fizeram a si mesmos e autossuficientes depressa descobrem como a vida em isolamento pode ser pesada.

Eis o segredo: vem ao arnês, o jugo que nos une num propósito comum e energia partilhada. Deixa de te esforçar tanto para seres melhor do que os outros, único, especial; em vez disso, sê manso e humilde de coração. Deixa que o teu dom seja parte dos dons dos outros. Deixa que as tuas forças e fraquezas se misturem com as dos outros, para criar a rede de amor e perdão mútuos que a todos suportará em tempos de necessidade e em tempos de abundância. O que Jesus nos oferece é isto: «Aprende de mim». A sua incarnação, e tudo o que Ele aprendeu da sua vida e morte neste mundo, acrescenta natureza divina às nossas vidas humanas, e ensina-nos como nos podemos tornar a amada comunidade que é a imagem de Deus na Terra.


 

Pat Marrin
In National Catholic Reporter
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Dmitriev Mikhail/Bigstock.com
Publicado em 16.07.2020

 

 
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