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De que servem tantas iniciativas na Igreja se damos tão pouca atenção a viver o que anunciamos?

O Evangelho de domingo fala-nos de Jesus expulso da sua terra. No próximo domingo, aa primeira leitura recorda-nos como também o profeta Amós já tinha sido escorraçado. A voz do profeta, da testemunha, é sempre incómoda e incomodativa.

Jesus serve-se dos seus discípulos: vai enviá-los dois a dois, para que, com a sua palavra e testemunho, saibam atrair os outros. Não envia militantes – como fazem os partidos políticos – nem propagandistas. Envia-os pobres e sem meios humanos, para que apareça claramente que a força vem de Deus, da sua Palavra, da sua mensagem.

Para Jesus, o testemunho de vida é mais decisivo que o testemunho das palavras. Para que servem tantas iniciativas na Igreja, tantos congressos, tantos livros, se depois dedicamos pouca atenção ao como se vive aquilo se prega?

Dizia Paulo VI: «O ser humano moderno precisa de ver como se vive, mais que ouvir dizer como se deve viver». O nosso erro, sacerdotes, cristãos, é que, sempre empenhados em procurar novas fórmulas, novos estilos de vida, novos conteúdos, negligenciámos o testemunho da vida.

Por isso não é de espantar que nunca como neste tempo as igrejas estejam cada vez mais vazias e a prática cristã esteja cada vez mais marcada pela esterilidade. As nossas palavras podem parecer sedutoras, suscitar admiração, mas não convertem ninguém, porque talvez satisfaçam os ouvidos mas não penetram até ao coração.

Se queremos que a fé não morra na nossa sociedade, devemos viver com simplicidade, com o estilo de Jesus. Devemos viver, e não apenas anunciar o Evangelho com as palavras. Só assim seremos capazes de ajudar os outros a caminhar, e reerguerem-se, a curar os seus malres, a compreender que só o amor salva.


 

Leonardo Sapienza
In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: optimistic_view/Bigstock.com
Publicado em 02.07.2021

 

 
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