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Cultura cigana mostra-se ao papa, que investe contra os preconceitos

«Lembro-me de que quando falei [das minhas raízes] com os meus companheiros de seminário, a primeira coisa que me perguntaram foi se morava numa rulote, se pedia esmola e se a minha família ia roubar carteiras para a estação de comboios.»

O testemunho do padre Cristian Di Sílvio, de origem cigana, antecedeu as palavras que o papa dirigiu hoje, no Vaticano, a cerca de 500 pessoas das comunidades rom e sinti, num encontro de oração onde a cultura marcou presença: «Escutei muitas coisas que me tocaram o coração».

Entre elas esteve também o relato de três mães, Dzemila, Miriana e Negiba: «Algumas de nós vivem em apartamentos alugados, em casas populares, outras ainda naqueles que são chamados “campos nómadas”, que mais não são do que barracas, guetos onde, por causa da etnia, as nossas famílias são segregadas pelas instituições».

Foi precisamente pelo tesouro da maternidade que Francisco começou: «Esta mãe que falou, tocou-me o coração quando disse que “lia”, “via” a esperança nos olhos dos filhos».



Imagem D.R.


E acrescentou: «As mães que leem a esperança nos olhos dos filhos lutam todos os dias pela concretude, não por coisas abstratas, não: fazer crescer um filho, dar-lhe de comer, educá-lo, inseri-lo na sociedade… São coisas concretas. E também as mães – ouso dizer – são esperança. Uma mãe que põe no mundo um filho é esperança, semeia esperança».

Ainda sobre preconceitos: «Uma coisa que me irrita é que estamos habituados a falar da gente com os adjetivos. Não dizemos: “Esta é uma pessoa, esta é uma mãe, este é um jovem padre”, mas «este é assim, aquele é assado…”. Colocamos adjetivos. E isto destrói, porque não deixa que se ponha a pessoa em relevo».

«O adjetivo é uma das coisas que cria distância entre a mente e o coração. É este o problema de hoje. Se vós me dizeis que é um problema político, um problema social, que é um problema cultural, um problema de língua: são coisas secundárias. O problema é a distância entre a mente e o coração», acentuou.

Para Francisco, «há cidadãos de segunda classe», «aqueles que descartam as pessoas», que «não sabem abraçar». E, a propósito, declarou: «Quando leio no jornal algo de mau, digo-vos a verdade, sofro. Hoje li algo de mau, e sofro, porque esta não é civilização. O amor é a civilização, por isso em frente com o amor».



Imagem D.R.


O papa referia-se indiretamente a uma família cigana, habitante numa casa popular numa periferia de Roma, que tem sido ameaçada por militantes de extrema-direita e, por esse motivo, obrigada a permanecer na habitação durante três dias.

«Peço-vos, por favor, o coração maior, mais amplo: nada de rancor. Seguir em frente com a dignidade: a dignidade da família, a dignidade do trabalho, a dignidade de ganhar o pão de cada sai – é isto que te faz andar para a frente – e a dignidade da oração. Sempre olhando para a frente. E quando vier o rancor, deixa, depois a história far-nos-á justiça. Porque o rancor faz adoecer tudo: faz adoecer o coração, a cabeça, tudo. Faz adoecer a família, e não está bem, porque o rancor te conduz à vingança», apontou.

Nos momentos de dificuldade, «olhai para o alto»: «Há Alguém que olha primeiro, que te quer bem, Alguém que teve de viver à margem, desde bebé, para salvar a vida, escondido, refugiado. Alguém que sofreu por ti, que deu a vida na cruz. É Alguém (…) que te procura para te consolar e encorajar a seguires em frente».









 

Rui Jorge Martins
Fonte (texto e imagens): Sala de Imprensa da Santa Sé
Publicado em 09.05.2019

 

 
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