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Construímos muros ou abrimos caminhos?

A Igreja aprende, a partir do apóstolo Pedro, que «um evangelizador não pode ser um impedimento à obra criativa de Deus, que «quer que todos os homens sejam salvos», mas alguém que favorece o encontro dos corações» com Deus, frisou hoje o papa.

«E nós, como nos comportamos com os nossos irmãos, especialmente com aqueles que não são cristãos? Somos um impedimento? Levantamos obstáculos ao seu encontro com o Pai, ou favorecemo-lo?», questionou Francisco na audiência geral que decorreu no Vaticano.

Os batizados, lembrou, «são chamados a sair de si mesmos e a abrir-se aos outros, a viver a proximidade, o estilo do viver em conjunto, que transforma cada relação interpessoal numa experiência de fraternidade».

Deus «quer que Pedro deixe de avaliar os acontecimentos e as pessoas segundo as categorias de puro e impuro», como era habitual entre os judeus, «mas que aprenda a ir além, para olhar para a pessoa e para as intenções do seu coração».

«Aquilo que torna impuro o homem, com efeito, não vem de fora, mas só de dentro, do coração. Jesus di-lo claramente», vincou o papa, aludindo ao episódio relatado nos Atos dos Apóstolos em que Pedro batiza um não-judeu e seus familiares.

«Peçamos hoje a graça de nos deixarmos espantar pelas surpresas de Deus, de não obstaculizar a sua criatividade, mas de reconhecer e favorecer os caminhos sempre novos através dos quais o Ressuscitado efunde o seu Espírito no mundo, e atrai os corações dando-se a conhecer como o Senhor de todos», concluiu Francisco.

Também hoje, data em que se assinala o Dia Mundial da Alimentação, o papa recordou o contraste entre as 820 milhões de pessoas famintas e as quase 700 milhões com excesso de peso.

«Vivemos graças aos frutos da criação, e estes não podem reduzir-se a um simples objeto de uso e dominação. Por esta razão, os transtornos alimentares só se podem combater cultivando estilos de vida inspirados numa visão agradecida daquilo que nos é dado, procurando a temperança, a moderação, a abstinência, o domínio de si e a solidariedade», escreve Francisco em carta dirigida ao diretor-geral da Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO).

Para Francisco é «cruel, injusto e paradoxal» que haja «alimentos para todos, e no entanto nem todos tenham acesso a eles, ou que existam regiões do mundo em que a comida é desperdiçada, eliminada, consumida em excesso, ou se dediquem alimentos a outros fins que não alimentícios».

«A luta contra a fome e a desnutrição não acabará enquanto prevalecer exclusivamente a lógica do mercado, e se procura apenas a ganância a todo o custo, relegando os alimentos a um mero produto de comérico, sujeito à especulação financeira, e distorcendo o seu valor cultural, social e marcadamente simbólico. A primeira preocupação tem de ser sempre a pessoa humana, especialmente quem carece de alimentos diários», acentuou o papa, que lança uma advertência: «Não podemos esquecer que o que acumulamos e desperdiçamos é o pão dos pobres».


 

Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 16.10.2019

 

 
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