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Revista "Communio" dedica novo número à saúde e questões sociais

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Revista "Communio" dedica novo número à saúde e questões sociais

«"Paz, pão, saúde, habitação". Vem já de longe este canto. Corresponde a um sonho. Teremos desistido dele?»: É com este pressuposto que se inicia o texto de apresentação do número mais recente da revista "Communio", enviado ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

A edição não esgota «todas as questões sociais (é claro!) que terão implicações nos cuidados de saúde» nem «todas as dimensões que os cuidados de saúde revestem», mas «uma sugestão, um apelo, um convite», escrevem José Manuel Pereira de Almeida, Maria da Graça Pereira Coutinho e Carlos Salema.

«Esperamos que o leitor possa encontrar aqui alguns subsídios para as suas conversas. E para o seu discernimento. Para ler os sinais dos tempos. Para viver uma vida mais humana, mesmo nas condições difíceis que conhecemos. Uma vida que faça viver à sua volta», aponta a introdução.

No artigo que abre a revista, "As desigualdades sociais fazem mal à saúde", José Manuel Pereira de Almeida, coordenador nacional da Pastoral da Saúde e diretor do Secretariado Nacional da Pastoral Social sublinha «como as situações de injustiça se refletem na saúde» e em que medida a liberdade individual «é chamada a tornar-se responsabilidade pela vida de todos».

Adalberto Campos Fernandes, no artigo "Saúde. Escolhas, custos e valor", pensa «a complexa questão da sustentabilidade», equacionada igualmente João Queiroz e Melo, «que a apresenta como “um novo paradigma de cuidados” de saúde».

"O direito à proteção da saúde no Estado Social", é explanado por Sérgio Deodato, enquanto que o trabalho do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, em particular o seu relatório de 2014, é dado a conhecer por Ana Escoval e Patrícia Barbosa.

Os critérios para definir os limites usados para estabelecer o que é um tratamento «demasiado caro» são analisados por Isabelle Durant-Zaleski no estudo "A saúde das pessoas pode ser assegurada pelas políticas de saúde?", «a partir da premissa de que uma política de saúde define as prioridades para que o dinheiro gasto “produza” um máximo de saúde para a população do país».

Valeer Neckebrouck, no texto "Quem tem competência para falar da doença e da saúde? Alguns aspectos da medicina tradicional" detém-se em casos reais para ilustrar as dimensões farmacológica, psicológica, social e religiosa desta prática, concluindo «com uma interrogação entre a contradição e a complementaridade com a medicina científica ocidental».

«A emergência das políticas sociais, a criação dos hospitais, as misericórdias e a identificação da pobreza como o principal problema da saúde pública», incluindo «referências importantes à história portuguesa», constituem o tema do artigo de Laurinda Abreu, "A emergência das políticas sociais e de saúde pública".

O anterior responsável nacional pela Pastoral da Saúde da Igreja em Portugal, Vítor Feytor Pinto, apresenta uma reflexão sobre o setor que recolhe «o conhecimento e a experiência» adquiridas durante os mais de 30 anos que esteve ligado àquela área.

«A importância de lidar com o doente como um todo», o que requer por parte dos profissionais de saúde uma atitude de acolhimento e respeito, a par da necessidade de recorrer à filosofia, bioética e literatura na formação dos profissionais de saúde constituem algumas das posições defendidas por Isabel Fernandes no texto "Os sentidos da hospitalidade ou a medicina narrativa ao serviço da "nova medicina"».

A saúde à luz da literatura é o propósito da recensão que M. Luísa Falcão faz da obra "O fiel jardineiro", de John Le Carré, em que o autor «denuncia as formas de corrupção e prepotência» associadas aos interesses «de uma indústria farmacêutica que se deixa levar pela ambição desmesurada do lucro», por exemplo através da «utilização de pessoas indefesas como cobaias humanas».

Por seu lado, o médico Manfred Lütz questiona se não estárá a ser criada «uma nova religião, orientada para a medicina e a psicoterapia como meios para atingir o bem-estar físico e mental», e defende «que se deve preservar a saúde, mas de forma moderada, sem “fundamentalismo”», ao mesmo tempo que realça a «importância de se desenvolver a arte de encontrar fontes de felicidade nas situações-limite da existência humana, que ajudem a conferir toda a dignidade merecida ao doente crónico, ao deficiente, às pessoas de idade avançada, com as limitações e sofrimentos inerentes».

A secção "Perspetivas" assinala os cem anos do início da I Guerra Mundial com um artigo do historiador francês Olivier Chaline sobre leituras atuais desse conflito, referindo também o papel da Igreja católica e as diferentes expressões religiosas que resultaram da vivência de fé nos diversos cenários de guerra.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 14.01.2015

 

 

 
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Os critérios para definir os limites usados para estabelecer o que é um tratamento «demasiado caro» são analisados por Isabelle Durant-Zaleski no estudo "A saúde das pessoas pode ser assegurada pelas políticas de saúde?"
O anterior responsável nacional pela Pastoral da Saúde da Igreja em Portugal, Vítor Feytor Pinto, apresenta uma reflexão sobre o setor que recolhe «o conhecimento e a experiência» adquiridas durante os mais de 30 anos que esteve ligado àquela área
A saúde à luz da literatura é o propósito da recensão que M. Luísa Falcão faz da obra "O fiel jardineiro", de John Le Carré, em que o autor «denuncia as formas de corrupção e prepotência» associadas aos interesses de uma indústria farmacêutica
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