

Domingos Machado | Foto: Departamento Arquidiocesano da Comunicação Social | D.R.O mestre “violeiro” Domingos Machado, de 79 anos, é o protagonista da reportagem publicada no mais recente número do suplemento digital “Igreja Viva”, que o jornal “Diário do Minho” publica às quintas-feiras.
Nascido em Aveleda a 7 de abril de 1936, o terceiro filho de dez irmãos tentou escapar ao ofício que viria a aprender com o pai, mas após várias experiências juntou-se finalmente a ele pai na oficina.
«Ficou muito feliz por ter alguém a continuar o legado da família. E eu ainda hoje lhe agradeço por sempre me ter apoiado. Foi o destino que me pôs os instrumentos na mão e o meu pai nunca tentou contrariá-lo, esteve sempre do meu lado. Acho que sabia que eu ia cruzar as esquinas e voltaria ao ponto de partida», diz Domingos Machado, entrevistado por Flávia Barbosa.
Depois do casamento, estabeleceu-se sozinho e viu crescer o número de clientes, desde artistas a paróquias, estas atraídas pelas violas, «que davam um ótimo som nas igrejas».
A 22 de setembro de 1995 inaugurava o Museu de Cordofones, sediado no andar inferior de sua casa: «Desde a inauguração já recebeu inúmeras visitas de escolas, colégios, universidades, tunas, entidades particulares».
Já veio gente de todos os cantos do mundo», como o Brasil, a Alemanha e o Japão, assinala o artesão, que além de não cobrar entradas dá explicações detalhadas sobre cada peça.
Entre as peças expostas, destaca duas: a viola braguesa e a bandolira. A primeira, pelas suas origens: trata-se do instrumento mais frequente entre Douro e Minho, que acompanha desafios, rusgas, mas também «se porta muito bem» a solo.
A bandolira, rara em Portugal, é uma réplica de um instrumento italiano restaurado pelo artesão. «É um instrumento barroco e vê-se nas pinturas de conventos e igrejas, a ser tocado pelos querubins, tal como nos salmos do Rei David».
O melhor destino que Domingos, e agora também o filho, Alfredo, deseja para as suas peças é que sejam plenamente aproveitadas: «Crio amizade com todas as peças que faço, mas não tenho pena. Não há nada como ver o produto final do nosso trabalho e a satisfação do cliente. Só fico triste se não forem valorizados ou aparecerem maltratados».
Pela oficina passaram personalidades nacionais e internacionais reconhecidas no mundo da música, como Amália Rodrigues, Oliver Serrano, Donovan, António Chaínho e Rão Kyao. E até George Harrison, guitarrista dos Beatles, teve um cavaquinho de Domingos Machado, que ofereceu a Paul McCartney, outro dos quatro elementos da banda de Liverpool.
Edição: Rui Jorge Martins
Domingos Machado | Foto: Departamento Arquidiocesano da Comunicação Social | D.R.