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Catedral de Notre-Dame continua em perigo: Ventos fortes podem derrubar paredes

A catedral de Notre-Dame, em Paris, não está estabilizada, e precisa urgentemente de reforço, refere uma avaliação inicial dos danos causados ​​pelo incêndio que destruiu o telhado e a torre na noite de 15 de abril.

O colapso de uma parte das abóbadas reduziu drasticamente a segurança do sistema estrutural, que, no caso de uma catedral gótica, não depende da massa das paredes, como na arquitetura clássica, mas na descarga de peso através de colunas, arcobotantes externos e contra-suportes - “exoesqueleto” que até agora tem sido eficaz e resiliente.

Um engenheiro mecânico da Universidade de Versalhes, Paolo Vannucci, modelou a engenharia da estrutura e mostrou que as paredes podem colapsar sob a pressão de ventos superiores a 90 km por hora, enquanto que antes do fogo resistiriam a ventos até 220 km, pelo que precisam, com urgência, de suportes temporários.

A estabilidade das abóbadas também está a causar preocupação, porque a pedra foi enfraquecida pelo fogo e pelo peso das toneladas de água e pelo chumbo derretido da cobertura do telhado.

Fortalecer e restaurar a estrutura da catedral deve, por isso, ser o principal objetivo do processo de reconstrução, que com muita probabilidade exigirá mais tempo do que os cinco anos anunciados pelo presidente de França, Emmanuel Macron.



As formas arquitetónicas perdidas devem ser restabelecidas, embora isso não impeça o uso de técnicas modernas, materiais, medidas de prevenção de incêndio e tecnologias avançadas de monitorização



As paredes precisam de ser reforçadas e as arcadas reconstruídas e consolidadas, de modo a permitir a substituição do telhado, que desempenha um papel estrutural importante na estrutura geral do monumento.

A flecha erguida por Eugène Viollet-le-Duc em 1860, que desabou no fogo, era estruturalmente independente do teto e das paredes, repousando sobre os pilares da travessia da nave e do transepto, mas o seu peso também contribuiu para a estabilidade da igreja.

Os diferentes elementos da catedral formavam um sistema unitário, mas as propostas iniciais de reconstrução, muitas entretanto reveladas na comunicação e redes sociais, incidiram no restauro separado da estrutura principal, do telhado e dos elementos decorativos danificados ou perdidos, bem como na reconstrução da torre.

O facto de Notre-Dame ter o estatuto de Património Mundial da Unesco exige que os princípios de conservação, restauro e reconstrução indicados pela Convenção para a Proteção do Património Mundial e pelo Conselho Internacional para Monumentos e Sítios (ICOMOS) sejam levados em consideração.

As formas arquitetónicas perdidas devem ser restabelecidas, embora isso não impeça o uso de técnicas modernas, materiais, medidas de prevenção de incêndio e tecnologias avançadas de monitorização.

O parlamento francês adotou a 10 de maio uma legislação especial para o restauro da catedral, que deverá ser aprovada no Senado no dia 27. O texto não refere questões técnicas, mas cria um órgão público encarregado de gerir os procedimentos, que foram simplificados.


 

Francesco Bandarin
Arquiteto
Fonte: The Art Newspaper
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 22.05.2019

 

 
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