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Cardeal dos EUA apela ao humanismo de Trump e lembra que impedir migrações de pessoas em risco não é cristão

O cardeal Daniel DiNardo, presidente da Conferência dos bispos católicos dos EUA, criticou esta terça-feira as medidas do governo de Donald Trump que visam restringir a imigração, por causarem o «sofrimento inaceitável de milhares de crianças e dos seus pais», além de criarem o «pânico».

O prelado, que se junta às críticas colocadas por agências humanitárias nacionais e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, diz que «condena» a nova legislação, em vigor desde terça-feira, que suscitou «um clima de medo» nas paróquias e comunidades no país.

Depois de referir que escreveu «recentemente» ao presidente dos EUA a pedir-lhe para «reconsiderar» a medida, o arcebispo de Galveston-Houston afirma que a intenção da lei é «deter» pessoas da América Central de procurar refugio nos EUA.

«Isto é equivocado e insustentável. É contrário aos valores americanos e cristãos tentar impedir pessoas de imigrar para aqui, quando estão a fugir para salvar as suas vidas e encontrar segurança para as suas famílias», frisou.



«O papa Francisco, na sua mensagem para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados de 2019, lembra-nos que “a presença de migrantes e refugiados – e de pessoas vulneráveis em geral – é um convite para recuperar algumas das dimensões essenciais da nossa existência cristã, e a nossa humanidade, que se arrisca a ser negligenciada numa sociedade próspera”»



Trump avisou que a operação a nível nacional para identificar, deter e deportar imigrantes ilegais iria começar no domingo passado – em 2017 estimava-se que havia 10,5 milhões de pessoas nessas condições –, e instaurou uma norma que dificulta o pedido de asilo para a maioria dos migrantes que pretendam entrar nos EUA pelas fronteiras do sul.

A regra elude o «dever moral» do país e evitará que os EUA assumam «o seu habitual papel de liderança na comunidade internacional como prestador de proteção de asilo», sem esquecer que, numa primeira análise, «suscita sérias questões sobre a sua legalidade», assinala DiNardo.

«Insto o presidente a reconsiderar estas ações, a nova regra e a sua perspetiva unicamente orientada para a execução da lei. Peço para que às pessoas que fogem pelas suas vidas seja permitido procurar refúgio dos EUA, e que todos aqueles que enfrentem procedimentos de extradição sejam poupados. Todos aqueles que estão junto ou dentro das nossas fronteiras devem ser tratados com compaixão e dignidade», frisa.

DiNardo sustenta que, além da misericórdia, «uma solução justa» para a «crise humanitária» deve focar-se nas «raízes das causas que compelem as famílias a fugir, e implementar uma reforma humana» do sistema de imigração dos EUA.

«O papa Francisco, na sua mensagem para o Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados de 2019, lembra-nos que “a presença de migrantes e refugiados – e de pessoas vulneráveis em geral – é um convite para recuperar algumas das dimensões essenciais da nossa existência cristã, e a nossa humanidade, que se arrisca a ser negligenciada numa sociedade próspera”», conclui a declaração do cardeal.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Conferência Episcopal dos EUA
Imagem: studiostoks/Bigstock.com
Publicado em 17.07.2019

 

 
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