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“Brexit”: Igrejas pedem orações, perante ameaças de divisão e pobreza

No clima de incerteza geral que acompanha o processo de saída do Reino Unido da União Europeia, as Igrejas locais, nas suas diferentes denominações, convidam as comunidades cristãs a rezar pela «sabedoria» dos líderes políticos, num momento considerado «crítico» para o país.

Uma oração a nível individual, mas também comunitária. Em particular, os presidentes da plataforma ecuménica inglesa, “Churches Together in England”, juntamente com o mais amplo organismo “Churches Together in Britain and Ireland”, apelam a que «as igrejas permaneçam abertas para as comunidades que procuram um lugar onde rezar pelas nossas nações».

Serão os líderes religiosos britânicos a dar o exemplo. Os seis responsáveis pelas Igrejas inglesas, o cardeal Vincent Gerard Nicholas, o arcebispo de Canterbury e primaz da Comunhão anglicana, Justin Welby, o moderador das Igrejas livres, Hugh Osgood, o presidente dos Quakers, Billy Kennedy, o arcebispo ortodoxo Angaelos e o presidente das Igrejas pentecostais, Agu Irukwu, encontram-se para orar no próximo sábado, no centro de Londres.

O convite estende-se às Igrejas em outros países, para que se unam «em semelhantes expressões de orante interesse pelo futuro dos povos e das nações nas ilhas britânicas e na Irlanda».



O primaz de toda a Irlanda, cuja arquidiocese – que compreende o condado de Louth, na República da Irlanda, e parte do condado de Londonderry, Tyrone e Armagh, na Irlanda do Norte – será seriamente atingida pelo “Brexit”, teme o regresso a um clima de «suspeita e divisão»



A União Batista da Grã-Bretanha, por seu lado, pediu aos seus membros para escreverem cartas aos deputados, nas quais lhes asseguram a oração. A plataforma declarou que, independentemente do resultado, as suas igrejas «continuarão a oferecer espaços que promovam a comunidade e o diálogo, e onde todos são bem-vindos».

Os cristãos estão a ser desafiados para acolherem, também no sábado, «encontros informais» para reunir pessoas de todos os pontos de vista e encorajar uma discussão aberta».

Os arcebispos anglicanos de Canterbury e York propõem às pessoas que se «reúnam e falem diante de uma chávena de chá, e rezem» pelo país e pelo futuro comuns. O programa inclui a leitura de excertos bíblicos especificamente escolhidos, orações e perguntas concebidas para favorecer as conversas. Uma nota pede aos participantes para terem «respeito pela integridade das posições diferentes, encorajando as comunidades a considerar os pontos de vista de todos».

«Daqui a um século a Igreja será recordada pelo modo como reagiu neste momento crucial da vida da nossa nação e do nosso país», sublinhou Welby. «Seremos aqueles que trabalharam para neutralizar a tensão e a hostilidade? Seremos aqueles que pediram civilidade e respeito na maneira como falamos e nos tratamos uns aos outros? Seremos aqueles que nunca deixaram de rezar com urgência e esperança pelo nosso país, as nossas comunidades e os nossos líderes políticos – e por um caminho a seguir que permita a cada pessoa, família e comunidade prosperarem?», questionou o arcebispo de Canterbury.



O arcebispo de Westminster e presidente da Conferência Episcopal de Inglaterra e Gales afirmou que as carências sociais podem aumentar «significativamente» após o “Brexit”



Também do outro lado do mar da Irlanda, o arcebispo católico de Armagh, Eamon Martin, espera que as orações dos cristãos ajudam os políticos, líderes das comunidades e toda a população a tratarem-se com respeito nestes «tempos difíceis».

O primaz de toda a Irlanda, cuja arquidiocese – que compreende o condado de Louth, na República da Irlanda, e parte do condado de Londonderry, Tyrone e Armagh, na Irlanda do Norte – será seriamente atingida pelo “Brexit”, teme o regresso a um clima de «suspeita e divisão», que apagaria décadas de progressos entre as comunidades de ambos os lados da fronteira.

Em mensagem publicada por ocasião da festa de S. Patrício, o prelado refere que ouviu famílias em toda a ilha – incluído aquelas que vivem e trabalham ao longo da fronteira – que expressaram ansiedade quanto ao que o futuro pode reservar.

Os efeitos potenciais do “Brexit” na vida dos habitantes das ilhas britânicas – em particular se Bruxelas e Londres não conseguirem chegar a acordo – estiveram também no centro da mensagem de Quaresma do cardeal Nichols.

Em declarações proferidas após o lançamento de um novo projeto da Caritas para promover atividades sustentáveis em Wembley, norte de Londres, o arcebispo de Westminster e presidente da Conferência Episcopal de Inglaterra e Gales afirmou que as carências sociais podem aumentar «significativamente» após o “Brexit”.


 

In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: tanaonte/Bigstock.com
Publicado em 27.03.2019

 

 
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