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Literatura

Mundo de Sophia de Mello Breyner na Biblioteca Nacional

«Comecei a escrever numa noite de Primavera, uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter – nem podia desfazer-me em noite, fundir-me na noite.

No gume da perfeição, no imenso halo de luz azul e transparente, no rouco da treva, na quasi palavra de murmúrio da brisa entre as folhas, no íman da lua, no insondável perfume das rosas, havia algo de pungente, algo de alarme.

Como sempre a noite de vento leste misturava extasi e pânico.» («Primeira noite de Verão, 9/5/1934)

Cadernos, folhas soltas, agendas com detalhes do dia a dia, receitas de culinária, desenhos e muitos manuscritos fazem o mundo de Sophia de Mello Breyner Andresen: o vasto espólio da escritora e poetisa foi entregue nos últimos dias de novembro pela família à Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa.

Cada documento foi lido, identificado e classificado por Manuela Vasconcelos, especialista em tratamento de Espólios de Literatura Portuguesa Contemporânea, e pela filha da autora, Maria Andresen de Sousa.

Numa sala do Centro Nacional de Cultura, trataram o espólio que veio dos grandes armários com portas de vidro, da casa na Travessa das Mónicas, onde Sophia guardava à chave tudo o que não queria destruir.

Entre recortes de jornais, entrevistas, fotografias e cartas, estavam também escondidos no fundo de um pequeno móvel um conjunto de cadernos, alguns já sem capa. A filha, Maria Andresen de Sousa, afirma que “esta é uma das partes mais interessantes do espólio”.

Datados da adolescência de Sophia, do período entre 1932 e 1941, estes cadernos contêm poemas escritos a lápis ou tinta permanente. Revelam os esboços dos primeiros poemas de Sophia. Numa folha solta, dobrada de um desses cadernos, está mesmo o primeiro poema escrito, intitulado “Primeira noite de verão”.

A assinalar a entrega deste espólio, decorre a 26 de janeiro uma cerimónia na Biblioteca Nacional, onde é inaugurada uma exposição evocativa. A 27 e 28 realiza-se, na Fundação Calouste Gulbenkian, o Colóquio Internacional dedicado à autora da “Menina do Mar”.

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919 e morreu em Lisboa a 2 de Julho de 2004.

 

Maria João Costa / SNPC
In Renascença
10.01.11

Sophia de Mello Breyner

 

 

 

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