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Arte e ecumenismo: Iconógrafo Andrei Rublev foi evocado em Roma

Pela primeira vez na história cristã, um santo da Igreja ortodoxa, neste caso o monge e extraordinário iconógrafo Andrei Rublev (m. c. 1430), foi solenemente evocado numa basílica católica de Roma, no contexto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

Foi ao pintor russo, autor de um dos mais reconhecidos ícones da Santíssima Trindade, que no domingo foi dedicado um concerto na catedral de S. João de Latrão, a igreja mais antiga da cidade: uma oratória de Mons. Marco Frisina, composto em homenagem ao monge, que juntou as vozes do coro sinodal de Moscovo, do coro diocesano de Roma e da orquestra sinfónica Fideles et Amati.

A oratória nasceu «para mostrar como a beleza pode salvar e dar ao ser humano aquilo que infelizmente hoje falta, essa respiração e essa humanidade que estamos a perder», observou o compositor.

O concerto, antecedido por uma oração redigida no verso da “Trindade” de Rublev distribuída ao público, «une a liturgia paleoeslava e o canto católico», representando «uma ponte, um momento para compreender a beleza do estar juntos», acrescentou.

Andrei Rublev é considerado um dos símbolos do renascimento da Rússia, após dois séculos de dominação tártaro-mongol, quando, no início do século XV, graças ao esplendor dos ícones, o povo russo redescobriu a sua identidade cristã e a missão nacional, em defesa da fé à beira do mundo civilizado.

A canonização de Rublev, que permaneceu adormecida durante séculos, foi finalmente declarada no sínodo de Moscovo de 1988, durante a celebração do milénio do Batismo da Rússia. Foi o primeiro grande evento do "renascimento religioso" russo, depois do jugo ateísta soviético.

Os ícones de Rublev, quase todos guardados na Galeria Tretjakov, em Moscovo, são tão preciosos que não podem ser exibidos de forma "ampla". É por isso que a grande exposição de pintura russa, aberta no Vaticano até fevereiro, não inclui a “Santíssima Trindade”, embora exiba obras dos primeiros discípulos de Rublev.

O embaixador russo junto da Santa Sé, Aleksandr Avdeev, sublinhou a importância do acontecimento: «Uma grande demonstração das boas relações entre a Federação Russa e a Igreja católica romana. (…) Não é apenas uma questão de intercâmbio cultural, mas de um acontecimento importante para toda a história do cristianismo, e especialmente para os nossos tempos».


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Rui Jorge Martins
Fontes: AsiaNews, RomaSette
Publicado em 22.01.2019

 

 
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