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“A economia de Francisco” já é «o mais vasto movimento de jovens economistas e empreendedores do mundo»

Dois mil jovens de 115 países dos cinco continentes vão participar, pela internet, no encontro “A economia de Francisco. Papa Francisco e os jovens de todo o mundo para a economia de amanhã, foi hoje anunciado, no Vaticano.

>Estão previstas conferências com oradores de renome internacional, incluindo os prémios Nobel Amartya Sem e Muhammad Yunus, além de economistas e empresários com experiência e competência consolidadas.

A iniciativa, inicialmente prevista para março, decorrerá de 19 a 21 de novembro. Vão ser estabelecidas 12 ligações com 115 países, durante quatro horas por dia. No segundo dia de trabalhos decorrerá uma maratona de 24 horas com o contributo de 20 países. Os inscritos poderão interagir com os relatores. Até hoje, estão acreditados cerca de 300 jornalistas.

A pandemia, frisou o P. Enzo Fortunato, porta-voz da comunidade franciscana do convento de Assis e responsável pela estrutura informativa do evento, está a «pôr a nu o sistema económico atual», colocando-o diante de opões decisivas, para as quais poderá contribuir o «caminho que S. Francisco no passado com os seus filhos e, hoje, o papa, indicaram para a sociedade de então e para a de hoje».



De março até hoje quase mil jovens trabalharam ativamente nas 12 “aldeias temáticas”, dando vida a um movimento que se espalhou para vários pontos do globo, o que «é já o primeiro grande e importante resultado de “The economy of Francesco”: jovens empenhados por uma economia nova, à altura dos tempos novos



«E eu trabalhava com as minhas mãos e quero trabalhar… Quero que todos trabalhem»: estas expressões de S. Francisco de Assis sintetizam de modo «emblemático» o momento histórico atual, assinalou.

Luigino Bruni, professor de economia política e responsável científico da iniciativa sublinhou que o encontro se tornou «o mais vasto movimento de jovens economistas e empreendedores do mundo».

Antes do confinamento tinha sido pensado dividir a reunião em duas partes: um pré-evento de dois dias com 500 jovens, antecedendo o encontro de três dias aberto a duas mil pessoas. A pandemia produziu um efeito imprevisto, porque o pré-evento de dois dias teve a duração de nove meses.

Com efeito, de março até hoje quase mil jovens trabalharam ativamente nas 12 “aldeias temáticas”, dando vida a um movimento que se espalhou para vários pontos do globo, o que «é já o primeiro grande e importante resultado de “The economy of Francesco”: jovens empenhados por uma economia nova, à altura dos tempos novos, que estão a mostrar a obsolescência da economia do século XX, mas também daquela anterior a janeiro de 2020».

«Entrámos na era dos bens comuns, e é preciso uma economia nova.» Não basta uma «economia “verde” para ter uma economia de Francisco. São necessárias também a inclusão dos pobres, o protagonismo dos jovens, o cultivo da vida interior», acrescentou Luigino Bruni.



Um tema transversal a muitas “aldeias” é a «reavaliação do cuidado no interior da sociedade e da economia, como chave para modelar o futuro, a par da necessidade de um olhar mais feminino e de uma maior participação das mulheres para uma economia e uma finança mais inclusivas»



A Ir. Alessandra Smerilli, igualmente docente de economia política e membro do comité científico, recordou que os jovens não estiveram sozinhos nestes nove meses de trabalho à distância, em que se realizaram cerca de 300 iniciativas e 27 seminários “online”.

As atividades foram divididas nas 12 “aldeias temáticas”: trabalho e cuidado; gestão e dom; finança e humanidade; agricultura e justiça; energia e pobreza; lucro e vocação; políticas para a felicidade; CO2 da desigualdade; negócios e paz; economia é mulher; empresas em transição; vida e estilos de vida.

As atividades de cada “aldeia” foram coordenadas por duas figuras escolhidas pelo comité científico e cerca de uma dezena de colaboradores com experiência nos âmbitos da economia, empresa, gestão, finança, pobreza, desenvolvimento, inovação, trabalho e recursos naturais. Os adultos «souberam colocar-se ao lado dos jovens para os acompanhar, dar um “feedback” às suas propostas, ajudá-los a combinar ideais com possibilidades reais», explicou a religiosa.

Um tema transversal a muitas “aldeias” é a «reavaliação do cuidado no interior da sociedade e da economia, como chave para modelar o futuro, a par da necessidade de um olhar mais feminino e de uma maior participação das mulheres para uma economia e uma finança mais inclusivas», referiu a Ir. Smerilli.

O encontro vai abrir com um vídeo realizado por jovens com deficientes do Instituto Seráfico de Assis, intitulado “Fala do sonho secreto”. O propósito é lançar um apelo com jovens «que representa, a incarnação do limite e da vulnerabilidade humana, mas também junto dos médicos, enfermeiros, terapeutas, operadores de saúde e educadores».

O local principal de “A economia de Francisco” será a basílica de S. Francisco de Assis, que vai estar ligada a cinco lugares igualmente significativos para a vida do santo: santuário Rivotorto, igreja de S. Damião, basílica de Santa Clara, santuário do Despojamento e palácio Monte Frumentario.


 

In L'Osservatore Romano
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Assis, Itália | D.R.
Publicado em 27.10.2020

 

 
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