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A arte da leveza

Com todo o nosso peso, nós, seres humanos, nunca cessamos de aspirar à leveza. Podemos não ter disso consciência, podemos até sentir que os nossos dias são como chumbo e, no emaranhamento de tudo aquilo que nos toca viver, experimentar sempre e unicamente o contrário da leveza.

Todavia, somos habitados por um persistente e inexaurível desejo daquilo que a leveza significa, mesmo quando esse desejo se exprime apenas como um desencontro, um tormento, um naufrágio ou uma sede.

Voltam-me à memória os versos de uma poesia de Antonia Pozzi: «Desejo de coisas leves/ no coração que pesa». Nós somos «desejo de coisas leves»: e temos de o recordar a nós próprios.

Porque se é verdade que a lei universal da gravidade nos mantém colados à terra, também é verdade que em nós pulsa uma tensão de transcendência. Se é verdade que somos amassados na argila, somos também aéreos e leves como o sopro de Deus.

Para Italo Calvino, leveza era uma das poucas palavras essenciais para este novo milénio, mas ele foi bem claro no facto de que o caminho para se aproximar dela exige uma conversão do nosso modo de olhar a vida.

Libertada dos equívocos que a assediam (por exemplo, quando se confunde com qualquer coisa de meramente superficial ou fútil), a leveza ensina-nos algo de fundamental sobre a arte de ser.


 

D. José Tolentino Mendonça
In Avvenire
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: valeo5/Bigstock.com
Publicado em 12.04.2019

 

 
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