

A felicidade que Deus propõe não vem das coisas grandes, do poder ou dinheiro, de grupos clericais ou políticos, mas das coisas pequenas e simples, frisou hoje o papa na missa a que presidiu, na Casa de Santa Marta, no Vaticano.
No Evangelho proclamado nas missas desta segunda-feira, Jesus sente o «desprezo» quer dos «doutores da Lei, que procuravam a salvação na casuística da moral» e em múltiplos preceitos, quer dos saduceus, que «procuravam a salvação nos compromissos com os poderes do mundo», ou seja, com o Império Romano, afirmou Francisco, citado pela Rádio Vaticano.
O «desdém» dos principais movimentos religiosos judaicos na Palestina pela proposta de Jesus radica-se na maneira comum e enviesada de pensar, apontou o papa: «No nosso imaginário, a salvação deve vir de alguma coisa de grande, de alguma coisa de majestoso; só se salvam os poderosos, aqueles que têm força, que têm dinheiro, que têm poder».
Todavia, «o plano de Deus é outro», sendo rejeitado porque muitos «não podem compreender que a salvação vem do pequeno, da simplicidade das coisas de Deus», prosseguiu Francisco.
«Quando Jesus faz a proposta do caminho da salvação nunca fala de coisas grandes», mas de «coisas pequenas», como são os casos dos «dois pilares do Evangelho»: as Bem-aventuranças e o juízo final de Deus, que terá como critério o que, durante a existência na Terra, cada pessoa fez pelos mais necessitados.
Francisco sugeriu, «como preparação para a Páscoa», à leitura das Bem-aventuranças e à narração de como acontecerá o juízo definitivo de Deus, que se podem encontrar, respetivamente, nos capítulos 5 e 25 do Evangelho segundo S. Mateus; «eu também o farei», afirmou.
«[Ao lerdes esses excertos, convido-vos] a pensar e ver de alguma coisa deles me causa desdém, me tira a paz. Porque o desdém é um luxo que apenas se podem permitir os fúteis, os orgulhosos», vincou.
A terminar, Francisco propôs um conselho: «Far-nos-á bem tomar um pouco de tempo – hoje, amanhã -, ler as Bem-aventuranças, ler Mateus 24, e estar atentos ao que acontece no nosso coração - se há algo de desdém -, e pedir a graça ao Senhor de compreender que o único caminho da salvação é a “loucura da Cruz”, isto é, a aniquilação do Filho de Deus, do fazer-se pequeno».
Rui Jorge Martins