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Deus escolhe «caminhos impensáveis»: Papa fala das bem-aventuranças na vida de crentes e não crentes

«Deus, para doar-se a nós, escolhe muitas vezes caminhos impensáveis, provavelmente os dos nossos limites, das nossas lágrimas, das nossas derrotas», num itinerário de revelação que, ao evocar a Páscoa (passagem), atravessa o fracasso para abrir a vida a uma nova esperança, afirmou hoje o papa, no Vaticano.

Francisco inaugurou hoje, na catequese que profere durante as audiências gerais das quartas-feiras, um conjunto de reflexões dedicadas às bem-aventuranças, texto que, no Evangelho segundo Mateus (5,1-11) «iluminou a vida dos crentes e também de muitos não crentes».

«É difícil não ser tocado por estas palavras, e é acertado o desejo de as compreender e acolher cada vez mais plenamente. As bem-aventuranças contêm o “cartão de cidadão” do cristão», por delinearem «o rosto do próprio Jesus, o seu estilo de vida».

Para Francisco, estes «“novos mandamentos” são muito mais do que normas», dado que «Jesus não impõe nada, mas desvela a via da felicidade, a sua via, repetindo oito vezes a palavra «felizes».

Cada bem-aventurança, explicou o papa, compõe-se de três partes: «Primeiro há sempre a palavra “felizes”; depois vem a situação em que se encontram os felizes – a pobreza em espírito, a aflição, a fome e a sede de justiça, e por aí diante; por fim, há o motivo da bem-aventurança, introduzido pela conjunção “porque”».

Depois de referir que «seria belo» aprender de cor as oito bem-aventuranças, para as ter «na mente e no coração», o papa notou: «Tomemos atenção a este facto: o motivo da bem-aventurança não é a situação atual, mas a nova condição que os felizes recebem como dom de Deus: “Porque deles é o Reino dos Céus”, “porque serão consolados”, “porque herdarão a Terra”».

A palavra “beato”, de onde deriva “bem-aventurança”, que na língua portuguesa é também usada, depreciativamente, para qualificar quem é excessivamente puritano, radica no original grego “makarios”, que, sublinhou Francisco, «não indica alguém que tem a barriga cheia ou que passa bem, mas uma pessoa que está numa condição de graça, que progride na graça de Deus».

«Far-nos-á bem ler o Evangelho de Mateus hoje, capítulo quinto, versículo um a onze, e ler as bem-aventuranças - talvez algumas vezes mais, durante a semana -, para compreender este caminho tão belo, tão seguro da felicidade» que Deus propõe, sugeriu Francisco.

«A todos vos saúdo, convidando-vos a pedir ao Senhor uma fé grande para verdes a realidade com o olhar de Deus, e uma grande caridade para vos aproximardes das pessoas com o seu coração misericordioso. Confiai em Deus, como a Virgem Maria! Sobre vós e vossas famílias, desça a bênção do Senhor», pediu o papa na saudação aos peregrinos lusófonos.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Imagem: nature78/Bigstock.com
Publicado em 29.01.2020

 

 
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