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Violência é causada pelo «esquecimento de Deus», e não pela sua «glorificação», frisa papa Francisco

Imagem Papa Francisco | D.R.

Violência é causada pelo «esquecimento de Deus», e não pela sua «glorificação», frisa papa Francisco

O papa Francisco vincou hoje, no Vaticano, que os confrontos atribuídos a motivos religiosos devem-se ao «esquecimento de Deus», e não à sua «glorificação».

Na audiência geral semanal, que decorreu na Praça de S. Pedro, Francisco recordou os aspetos mais significativos da sua viagem à Turquia, entre sexta-feira e domingo, refere a Rádio Vaticano.

«Como pedi para a preparar e acompanhar com a oração, agora convido-vos a dar graças ao Senhor pela sua realização e para que possam brotar frutos de diálogo, seja nas nossas relações com os irmãos ortodoxos, seja com os muçulmanos, seja no caminho para a paz entre os povos», afirmou.

Depois de ter agradecido às autoridades civis e religiosas o acolhimento, Francisco agradeceu a «proteção do céu» que teve, em virtude da intercessão do beato Paulo VI e S. João Paulo II, que estiveram na Turquia, assim como de S. João XXIII, que foi delegado pontifício no país, que há oito anos foi visitado pelo papa emérito Bento XVI.

A Turquia «é querida a cada cristão, especialmente por ter dado o nascimento ao apóstolo Paulo, por ter acolhido os primeiros sete concílios, e pela presença, próxima de Éfeso, da “casa de Maria”, em que terá vivido, segundo a tradição, após o Pentecostes, ou seja, a descida do Espírito Santo pelos apóstolos reunidos em Jerusalém, cinquenta dias após a ressurreição de Cristo.

«No primeiro dia da viagem apostólica saudei as autoridades do país, de larguíssima maioria muçulmana, mas em cuja Constituição se afirma a laicidade do Estado. E falámos com as autoridades sobre a violência. É precisamente o esquecimento de Deus, e não a sua glorificação, a gerar a violência. Por isso insisti na importância de que cristãos e muçulmanos se comprometam conjuntamente pela solidariedade, pela paz e justiça, afirmando que cada Estado deve assegurar aos cidadãos e às comunidades religiosas uma real liberdade de culto», frisou Francisco.

O ecumenismo marcou o segundo dia, com a visita a «alguns lugares-símbolo das diversas confissões religiosas presentes na Turquia; fi-lo sentindo no coração a invocação ao Senhor, Deus do céu e da terra, Pai misericordioso de toda a humanidade. O centro do dia foi a celebração eucarística que viu reunida na catedral pastores e fiéis dos diversos ritos católicos presentes na Turquia. Assistiram também o patriarca ecuménico, o vigário patriarcal arménio apostólico, o metropolita siro-ortodoxo e altos representantes protestantes. Juntos invocámos o Espírito Santo, aquele que faz da unidade da Igreja: unida na fé, unida na caridade, unida na coesão interior. O povo de Deus, na riqueza das suas tradições e articulações, é chamado a deixar-se guiar pelo Espírito Santo, em atitude constante de abertura, de docilidade e de obediência».

O último dia, festa do apóstolo André, «ofereceu o contexto ideal para consolidar as relações fraternas entre o bispo de Roma, sucessor de Pedro, e o patriarca ecuménico de Constantinopla, sucessor de André, irmão de Simão Pedro, que fundou aquela Igreja».

«Renovei com Sua Santidade Bartolomeu I o compromisso recíproco para prosseguir na estrada rumo ao restabelecimento da plena comunhão entre católicos e ortodoxos. Juntos subscrevemos uma declaração conjunta, posterior etapa deste caminho. Foi particularmente significativo que este ato tenha ocorrido no termo da solene liturgia da desta de Santo André, à qual assisti com grande alegria, e que foi seguida pela dupla bênção dada pelo patriarca de Constantinopla e pelo bispo de Roma. A oração, com efeito, é a base para todo o frutuoso diálogo ecuménico sob a orientação do Espírito Santo», declarou o papa.

A terminar, Francisco recordou o último encontro, que definiu de «belo e também doloroso», com um grupo de jovens refugiados, acolhidos pelos salesianos, naquele que considerou um «trabalho escondido»: «Era muito importante para mim encontrar alguns refugiados das zonas de guerra do Médio Oriente, seja para lhes exprimir a minha proximidade e a da Igreja, seja para sublinhar o valor do acolhimento, no qual também a Turquia está muito empenhada».

«Deus omnipotente e misericordioso continue a proteger o povo turco, os seus governantes e os representantes das diversas religiões. Que possam construir juntos um futuro de paz, e que a Turquia possa representar um lugar de coexistência pacífica entre religiões e culturas diversas. Rezemos ainda para que, por intercessão da Virgem Maria, o Espirito Santo torne fecunda esta viagem apostólica e favoreça na Igreja o fervor missionário, para anunciar a todos os povos, no respeito e no diálogo fraterno, que o Senhor Jesus é verdade, paz e amor. Só Ele é o Senhor», concluiu Francisco.

Antes da audiência, o papa encontrou-se com os participantes na terceira cimeira de líderes cristãos e muçulmanos, acolhidos pelo presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, cardeal Jean-Louis Touran: «Agradeço-vos pelo vosso trabalho, por aquilo que fazeis para nos compreendermos melhor, e sobretudo pela paz. Este é o caminho da paz: o diálogo».

Falando aos peregrinos de língua italiana no fim da audiência, o papa lembrou a figura do jesuíta S. Francisco Xavier, padroeiro dos missionários, que os católicos evocam esta quarta-feira, e destacou que os católicos, a maioria desde domingo, entraram no Advento: «[Que] o tempo que nos prepara para o Natal favoreça em todos um renovado compromisso de adesão a Cristo e de solidariedade com os irmãos mais necessitados».

 

Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Com Vatican Insider
Publicado em 04.12.2014

 

 
Imagem Papa Francisco | D.R.
Renovei com Sua Santidade Bartolomeu I o compromisso recíproco para prosseguir na estrada rumo ao restabelecimento da plena comunhão entre católicos e ortodoxos
Era muito importante para mim encontrar alguns refugiados das zonas de guerra do Médio Oriente, seja para lhes exprimir a minha proximidade e a da Igreja, seja para sublinhar o valor do acolhimento
«[Que] o tempo que nos prepara para o Natal favoreça em todos um renovado compromisso de adesão a Cristo e de solidariedade com os irmãos mais necessitados»
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