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Vídeoarte entra pela primeira vez nos Museus do Vaticano

Imagem © Ansa

Vídeoarte entra pela primeira vez nos Museus do Vaticano

A vídeoarte entra pela primeira vez nos Museus do Vaticano com a inauguração da nova "Sala Estúdio Azul". A nova secção, localizada antes do espaço dedicado a Matisse, acolherá a obra "No princípio (e depois)", realizada para a primeira presença da Santa Sé na Bienal de Veneza, em 2013, e inspirada nos primeiros 11 capítulos do livro do Génesis.

«O meu pai chamava-se António; os pais do meu pai chamavam-se Maurício e Maria Pia; os da minha mãe, Maria e António...»: as vozes são de reclusos da prisão milanesa de Bollate. As suas imagens caminham em círculo sobre o ecrã e só quando o visitante pousa as mãos sobre eles é que começam a falar, a contar a sua história familiar, a sua genealogia.

Junto a eles, nos ecrãs laterais, a Criação manifesta-se com os nomes de plantas e animais, descritos com a língua gestual por um grupo de surdos-mudos. Ao centro a mão do visitante projeta-se sobre o pavimento através de um feixe de luz, a luz de onde tudo começou. É o Génesis, tal como é imaginado pelo coletivo de artistas milaneses "Studio Azurro" ("Estúdio Azul").

Trata-se de uma obra «completamente inovadora e interativa, precisamente no coração dos Museus do Vaticano», realça a curadora da Coleção de Arte Contemporânea, Micol Forti.

«É preciso aproximar-se e tocar as superfícies», assinala, porque só do contacto com as mãos, quase uma citação da "Criação" de Miguel Ângelo, exposta a poucos passos, se geram outros sons, imagens, reações e narrativas, tudo em torno do espetador.

O presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, explica que a obra está «ligada sobretudo a três verbos»: «O primeiro é certamente o da palavra, porque - por exemplo - os reclusos contam a sua genealogia, isto é, a história da humanidade, ainda que no seu microcosmo. O segundo verbo é o do ver, que ocorre no silêncio - os surdos-mudos falam com os gestos - e portanto as suas são imagens não descritas mas tornadas visíveis. E, por último, o tocar».

A interação entre espetador e obra é a chave interpretativa desta videoinstalação, destaca o diretor dos Museus do Vaticano, Antonio Paolucci: «O que os autores, os artistas, quiseram é o envolvimento de quem vê, do espetador».

«É um género de obra na qual eu, que vejo, sou, de alguma forma, cocriador juntamente com o artista que produziu a instalação. Eu estendo a mão, acendem-se os ecrãs, participo da criação. É uma obra de uma extraordinária intensidade poética e de grande eficácia didática: quem a vê compreende tudo», sublinha.

Nascida a partir das reflexões do cardeal Ravasi sobre a Criação, a obra foi realizada paara a 55.ª Bienal de Veneza, e depois doada pelo Conselho Pontifício da Cultura aos Museus do Vaticano.

«O artista já não é aquela figura solitária, no cimo da montanha. O artista é uma pessoa que está na praça do mercado e que tem necessidade de pessoas à sua volta que o ajudem na sua procura e na sua visão. E este é o espírito com que abordamos o nosso trabalho», explicou Leonardo Sangiorgi, um dos fundadores do Studio Azzurro, que desde 1982 propõe as artes visuais de forma interativa.

Para Fabio Cirifino, igualmente cofundador do coletivo artístico, a obra marca «uma abertura por parte dos Museus do Vaticano que é hoje inevitável»: «O digital faz atualmente parte das nossas vidas. Precisamos de começar a confrontar-nos com este mundo, que também precisa de uma poética. É o início de um percurso artístico onde as novas tecnologias fazem parte de uma visão, de um sonho, de uma realidade que diz respeito a todos».

 




 

Michele Raviart
In "Rádio Vaticano" | Com "Ansa"
Edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 29.09.2016

 

 
Imagem © Ansa
«É um género de obra na qual eu, que vejo, sou, de alguma forma, cocriador juntamente com o artista que produziu a instalação. Eu estendo a mão, acendem-se os ecrãs, participo da criação. É uma obra de uma extraordinária intensidade poética e de grande eficácia didática: quem a vê compreende tudo»
Para Fabio Cirifino, cofundador do coletivo artístico, a obra marca «uma abertura por parte dos Museus do Vaticano que é hoje inevitável»: «O digital faz atualmente parte das nossas vidas. Precisamos de começar a confrontar-nos com este mundo, que também precisa de uma poética»
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