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Vencer desprezo e niilismo, tarefa de cada dia

Vencer desprezo e niilismo, tarefa de cada dia

Imagem D.R.

Depois da América, mas também antes, e olhando para o contexto em que cada um de nós age, o desprezo é uma das duas grandes tentações a que estão sujeitos os nossos contemporâneos mais atentos ao que muda no mundo.

O desprezo parte da constatação de que os nossos semelhantes se deixam dominar pelos instintos e pelas ambições mais egoístas e das ilusões mais estúpidas, na maior parte dos casos inoculadas propositadamente nos seus cérebros e sentimentos por um poder concentrado em poucas mãos mas que tem ao serviço milhões de servos que executam as suas diretivas, dentro de um sistema mediático (com milhões de “mediadores”) que impõe habilmente os modelos de comportamento e as ideias que o poder pode controlar, com o propósito de unificar e domesticar as consciências individuais.

Muitos desprezam as massas que se comportam como querem as elites, massas que são cada vez mais difíceis, tal é a arte dos manipuladores, de voltar a despertar para o raciocínio, a compreensão, a consciência, e consequentemente para comportamentos diferentes daqueles programados pelo poder.



A outra tentação, o niilismo, está muito mais espalhada do que aquilo que se pensa e conduz ao abandono de toda a esperança de poder mudar seja o que for na ordem das coisas: «É assim, e não há como remediar»



A outra tentação, o niilismo, está muito mais espalhada do que aquilo que se pensa e conduz ao abandono de toda a esperança de poder mudar seja o que for na ordem das coisas: «É assim, e não há como remediar»; o homem, o mundo, e em particular o homem e o mundo de hoje, são presas do mal e não há bem que possa contrariá-lo. Não há nada a fazer e, como disse uma vez Houellebecq, a humanidade não merece sobreviver.

É imperioso, tanto quanto difícil, ter alguma coisa a responder a esta posição, porque a quase todos aqueles que ainda procuram pensar com a própria cabeça e ver com os próprios olhos, e sobretudo que querem fazer alguma coisa de útil à coletividade, ao próximo – seja quem tem carências materiais, seja quem tem necessidades intelectuais e espirituais – sucede perderem confiança nas possibilidades que mudem a escala dos valores, a mentalidade, os modelos de comportamento, que seja derrotada a arrogância dos tolos assim tornados pela astúcia do poder.

Regressa à mente um trecho do Evangelho que está entre os mais reveladores e menos comentados. No deserto, Jesus é tentado por Satanás, que lhe mostra todas as riquezas do mundo e lhe diz que serão suas se se passar para o mal. Escolher o bem é um desafio, nunca se tem a certeza da vitória, e exige hoje, creio, uma vigilância e uma inteligência muito maiores do que no passado.



 

Goffredo Fofi
In "Avvenire"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 15.11.2016

 

 
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