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Vaticano organiza primeiro Dia das Catacumbas para iluminar fé, arte e cultura do cristianismo das origens

Roma vai acolher a 13 de outubro o primeiro Dia das Catacumbas, promovido pela Comissão Pontifícia de Arqueologia Sacra, no âmbito do Ano Europeu do Património, para iluminar a espiritualidade, arte e cultura do Ocidente.

Poucos são os lugares que oferecem um confronto direto e angível com as memórias dos primeiros mártires, as tradições, usos e costumes da primitiva comunidade cristã, assim como com as primeiras expressões artísticas inspiradas pela sua fé.

Ao contrário do passado, em que eram ponto de passagem e oração dos peregrinos que se dirigiam a Roma, as catacumbas são hoje pouco visitadas quer por fiéis, quer por turistas.

Em Itália contam-se mais de 100 catacumbas, mas entre 80 a 90 estão na capital, «o que quer dizer que Roma é ainda o coração do cristianismo, expresso no interior do símbolo que é a catacumba, espécie de memória subterrânea, mas viva», declarou o presidente da Comissão Pontifícia.

«A visita às catacumbas é sempre emocionante porque se entra no interior de uma verdadeira cidade subterrânea. Os fiéis desciam ao interior destas catacumbas, inclusive durante os períodos de perseguição, para poder venerar os seus defuntos, mas sobretudo porque em torno de algumas capelas que acolhiam os corpos dos mártires, procurava fazer-se como que uma “constelação de túmulos”», explicou o cardeal Gianfranco Ravasi.



«Vemos todos os sinais cristãos, vemos esta extrema confiança além da morte, para a qual a vida terrena é um percurso, mas há a outra face da vida em relação àquela que está voltada para nós, que é a terrena»



«As pessoas que podiam estar mais próximas dos mártires sentiam-se mais próximas do dia da ressurreição. E também ali os fiéis consumavam uma espécie de banquete ritual. Na prática, num dia de festa, por exemplo, encontravam-se com os fiéis que dormiam o sono da paz, da morte, através dos alimentos que eram consumidos pelos fiéis viventes em comunhão com os defuntos», acrescentou.

A visita às catacumbas é, «antes de tudo, uma experiência de interioridade física, porque às vezes são quilómetros e quilómetros de subterrâneos também emocionantes, porque as áreas estão muito articuladas e por vezes inclusive por pisos diferentes, chegando-se a uma profundidade de 30 metros».

«A segunda experiência é certamente de fé; isso está fora de dúvidas porque vemos todos os sinais cristãos, vemos esta extrema confiança além da morte, para a qual a vida terrena é um percurso, mas há a outra face da vida em relação àquela que está voltada para nós, que é a terrena», prosseguiu o prelado. As catacumbas são, por isso, «lugar de fé, de esperança na ressurreição, portanto lugares pascais em certo sentido».

O terceiro aspeto destacado por D. Gianfranco Ravasi é o «artístico, uma dimensão fascinante porque os frescos que povoam as catacumbas são às vezes de uma beleza extraordinária. As principais catacumbas são as de S. Callisto, S. Sebastiano, Domitilla e Priscilla. Mas há muitas outras que, por ocasião do Dia das Catacumbas, estarão abertas ao público, de tal maneira que se podem ver por vezes surpresas do ponto de vista da arte, das imagens».

O programa do Dia das Catacumbas prevê a abertura gratuita ao público de 12 espaços, bem como visitas guiadas para os adultos, a par de iniciativas para as crianças, jovens e invisuais. Está também agendada uma mesa redonda, uma exposição e dois apontamentos musicais.


 

Roberta Gisotti
In Vatican News
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 25.09.2018

 

 
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