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Vaticano e China: Paz e sacrifício

O acordo provisório entre o Vaticano e Pequim vai exigir esforço de aceitação quer dos católicos “clandestinos”, fiéis à Santa Sé, quer dos “patrióticos”, afetos ao regime chinês, mas é essencial para estabelecer pontes e consolidar diálogos, ainda que nada esteja garantido quanto à evolução da relação entre os dois países.

O protocolo compreende «a aceitação, pelo papa, dos sete bispos “patrióticos”, nomeados pelo governo chinês, e que agora foram integrados na Igreja católica e reconhecidos como legítimos bispos, bem como o afastamento de dois bispos “clandestinos”, explica o P. Gonçalo Portocarrero de Almada na crónica semanal que assina no “Observador”.

Todavia, sublinha, «não será fácil, para os fiéis que pagaram tão cara a sua fidelidade à Igreja e ao Papa, aceitar alguém que foi nomeado e ordenado à revelia da Santa Sé, e que deve ao partido comunista chinês o seu estatuto episcopal».

Por isso, prossegue o autor, «a submissão dos católicos “clandestinos” aos bispos “patrióticos” é um enorme sacrifício que lhes é agora pedido, em nome da unidade da Igreja católica na China, pelo Papa a que sempre foram fiéis.



O papa «reconhece os méritos dos “clandestinos”, mas procura estabelecer um clima de confiança que permita à república popular da China ultrapassar os seus preconceitos contra a Igreja católica»



Por seu lado, os bispos alinhados com Pequim têm uma «difícil missão a cumprir: “peço-lhes – escreveu o Papa Francisco – para expressarem, por meio de gestos concretos e visíveis, a reencontrada unidade com a Sé Apostólica e com as Igrejas espalhadas pelo mundo, e para, não obstante as dificuldades, se manterem fiéis à mesma”».

O texto recorda que tanto S. João Paulo II como Bento XVI «tentaram, em vão, a reunificação de todos os católicos chineses, mas sem abandonar aqueles que, até à data, pagaram tão duramente pela sua fidelidade a Roma».

«Ante as cedências da diplomacia vaticana e a exiguidade de contrapartidas, há quem diga que, mais do que uma reconciliação, tratou-se de uma verdadeira capitulação. O discurso oficial insiste na necessidade de um primeiro gesto de “boa vontade”, que estabeleça um clima propício às negociações agora encetadas», assinala.

Por isso, na carta aos católicos chineses, o papa «reconhece os méritos dos “clandestinos”, mas procura estabelecer um clima de confiança que permita à república popular da China ultrapassar os seus preconceitos contra a Igreja católica». 

«Ninguém deve duvidar das boas intenções do Papa Francisco, muito embora não seja infalível em matérias que não são de fé, nem de moral», frisa o P. Gonçalo Portocarrero de Almada, mas é preciso cuidado para que «o que parecia uma fabulosa bênção» não se «converta numa dramática maldição».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Observador
Imagem: beibaoke/Bigstock.com
Publicado em 01.10.2018

 

 
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