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Vai ter com o bispo e diz-lhe «na cara» por que não confias na Igreja: Papa desafia jovens e estimula leitura da Bíblia

«A juventude corajosa» é aquela que tem a coragem de dizer «na cara» aos padres e aos bispos que acredita em Deus mas não se fia na Igreja, sublinhou hoje o papa ao dirigir-se aos fiéis reunidos em Piazza Armerina, primeira etapa da visita à ilha da Sicília, em Itália, onde passa este sábado.

«Muitas vezes ouvi alguns jovens a dizer: “Em Deus confio, mas na Igreja não”; “Mas porquê?” “Porque sou um ‘mata-frades’”. Ah, és um mata-frades. Então aproxima-te do padre e diz-lhe: “Eu em ti não confio por isto, por aquilo, por aqueloutro”. Aproxima-te! Aproxima-te inclusive do bispo, e diz-lhe na cara: “Eu não confio na Igreja por isto, por aquilo, por aqueloutro”. Esta é a juventude corajosa! Mas com vontade de escutar a resposta», frisou.

Ainda que o sacerdote não reaja bem, o importante é manter o «diálogo»: «Talvez nesse dia o padre esteja mal do fígado e corra contigo, mas será só dessa vez, haverá de dizer-se alguma coisa. Escutar! Escutar! E vós, sacerdotes, tende paciência, paciência construtiva para escutar os jovens, porque sempre, na inquietação dos jovens, há sementes do futuro».

«A perspetiva de uma Igreja sinodal e da Palavra requer a coragem da escuta recíproca, mas sobretudo a escuta da Palavra do Senhor. Por favor, não anteponhais nada ao centro essencial da comunhão cristã, que é a Palavra de Deus, mas fazei-a vossa especialmente mediante a “lectio divina” [meditação da Sagrada Escritura], momento admirável de encontro coração a coração com Jesus, sentado aos pés do divino Mestre», afirmou, antes, aos fiéis.



«A caridade cristã não se contenta em assistir, não cai na filantropia – duas coisas diferentes, caridade cristã e filantropia –, mas impele o discípulo e toda a comunidade a ir ao encontro das causas dos sofrimentos e tentar removê-las, na medida do possível, juntamente os próprios irmãos necessitados, integrando-os no nosso trabalho»



Francisco vincou a importância da reflexão diária baseada na Bíblia, ainda que só por instantes: «Deveis habituar-vos à Palavra de Deus: ler o Evangelho, todos os dias, um pequeno passo do Evangelho. Não leva mais do que cinco minutos. Talvez um pequeno Evangelho no bolso. Levai-o, ver e ler. E assim, todos os dias, como gota a gota, o Evangelho entrará no nosso coração e nos fará mais discípulos de Jesus e mais fortes para sair, ajudar todos os problemas da nossa cidade, da nossa sociedade, da nossa Igreja. Fazei-o, fazei-o. Peço ao bispo que facilite a possibilidade de ter um pequeno Evangelho para todos aqueles que o pedem, para levá-lo consigo. A leitura da Palavra de Deus far-vos-á mais fortes».

Referindo-se ao cuidado com as pessoas carenciadas, o papa acentuou a necessidade de salvaguarda da população mais velha: «Por favor, não deixeis os idosos sós. Os nossos avós. Eles são a nossa identidade, são as nossas raízes, e nós não queremos ser um povo desenraizado. As nossas raízes estão nos velhos. (…) Não esqueçais que a caridade cristã não se contenta em assistir, não cai na filantropia – duas coisas diferentes, caridade cristã e filantropia –, mas impele o discípulo e toda a comunidade a ir ao encontro das causas dos sofrimentos e tentar removê-las, na medida do possível, juntamente os próprios irmãos necessitados, integrando-os no nosso trabalho».

Depois deste encontro, Francisco partiu para Palermo, onde presidiu à missa, tendo a seguir almoçado com pessoas pobres e uma representação de pessoas detidas e imigrantes, revela a Sala de Imprensa da Santa Sé.


 

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