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Universidade Católica organiza congresso sobre "Tomás Moro e o Sonho de um Mundo Melhor"

Imagem Tomás Moro (det.) | Hans Holbein, o Novo | 1527

Universidade Católica organiza congresso sobre "Tomás Moro e o sonho de um mundo melhor"

A Universidade Católica Portuguesa organiza de 24 a 26 de novembro, em Lisboa, o Congresso Internacional "Tomás Moro e o sonho de um mundo melhor", por ocasião dos 500 anos da publicação da obra "Utopia", «obra maior da cultura».

O londrino Tomás Moro (1478-1535), canonizado como mártir da Igreja católica em 1935 e evocado liturgicamente a 22 de junho, «foi um dos mais notáveis humanistas, estadistas e escritores do Renascimento, ocupando de 1529 a 1532 o cargo de Chanceler de Inglaterra, cujo enfrentamento com o rei Henrique VIII levou à prisão e execução», refere a organização do colóquio.

O congresso será «alicerçado em sólida exegese» e «questionará de que modo as mensagens da Utopia estão presentes nos novos caminhos da cultura, da sociedade, da política e da religião, e nos grandes debates contemporâneos sobre o trabalho, a saúde, as novas tecnologias e a sustentabilidade».

«A obra "Utopia" é um marco do humanismo europeu pelas suas propostas radicais sobre a propriedade, o estado, a família, a sociedade, a educação, a igualdade dos géneros, a guerra e a paz, constituindo, também, o primeiro grande manifesto sobre as relações entre os povos da Europa e do mundo, e com acentuada presença da experiência dos Descobrimentos Portugueses», assinala o texto introdutivo da iniciativa.

O Centro de Estudos de Filosofia, que em parceria com o Centro de Estudos de Comunicação e Cultura e o Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, organiza o encontro, explica que a obra «originou um género literário, começando pelas utopias renascentistas e depois pelas variações iluministas sobre a sociedade perfeita, os socialismos utópicos, no séc. XIX, e as novas utopias e distopias do séc. XX».

«A reflexão sobre a fecunda biografia de Tomás Moro, simultaneamente um santo da Igreja e declarado Patrono dos Estadistas e Políticos por João Paulo II, em 2000, e um arauto do socialismo utópico, cujo nome se encontra no obelisco dos fundadores do comunismo, em Moscovo, será ainda um registo importante para as narrativas de um mundo melhor», frisam os promotores.

"A Utopia e o Humanismo. Raízes e contextos", "Pensamento utópico: projeção e variações", "Para um mundo melhor nas religiões e nas culturas", "Para um mundo melhor na política e na economia" e "Para um mundo melhor nas dinâmicas sociais, educação e arte" constituem os temas dos cinco blocos, que serão antecedidos pela conferência de abertura.

A figura de Tomás Moro «é verdadeiramente exemplar para todo o que é chamado a servir o homem e a sociedade no âmbito civil e político. O testemunho eloquente dado por ele é muito atual num momento histórico que apresenta desafios cruciais para a consciência de quem tem responsabilidades diretas na gestão da vida pública», afirmou o papa S. João Paulo II, durante o Jubileu dos Governantes e Parlamentares, a 5 de novembro de 2000.

Enquanto estadista, prosseguiu o papa na homilia da missa, Tomás Moro «coloca-se sempre ao serviço da pessoa, especialmente quando débil e pobre; as honras e as riquezas não o fascinaram, guiado como era por um elevado sentido da equidade».

«Sobretudo, ele nunca desceu a compromissos com a própria consciência, preferindo o sacrifício supremo a desobedecer à sua voz. Invocai-o, segui-o, imitai-o! A sua intercessão não deixará de obter-vos, mesmo nas situações mais árduas, fortaleza, bom humor, paciência e perseverança», vincou S. João Paulo II.

Alguns dias antes, a 31 de outubro, o papa polaco, no documento que proclamava S. Tomás Moro patrono dos governantes e dos políticos, recordou a sua «vocação para o Matrimónio, a vida familiar e o empenho laical».

«Ao longo de toda a sua vida, foi um marido e pai afetuoso e fiel, cooperando intimamente na educação religiosa, moral e intelectual dos filhos. A sua casa acolhia genros, noras e netos, e permanecia aberta a muitos jovens amigos que andavam à procura da verdade ou da própria vocação. Além disso, na vida de família dava-se largo espaço à oração comum e à "lectio divina" [meditação da Bíblia], e também a sadias formas de recreação doméstica. Diariamente, Tomás participava na Missa na igreja paroquial, mas as austeras penitências que abraçava eram conhecidas apenas dos seus familiares mais íntimos», lê-se no texto.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 05.09.2016

 

 

 
Imagem Tomás Moro (det.) | Hans Holbein, o Novo | 1527
A figura de Tomás Moro «é verdadeiramente exemplar para todo o que é chamado a servir o homem e a sociedade no âmbito civil e político. O testemunho eloquente dado por ele é muito atual num momento histórico que apresenta desafios cruciais para a consciência de quem tem responsabilidades diretas na gestão da vida pública
Ao longo de toda a sua vida, foi um marido e pai afetuoso e fiel, cooperando intimamente na educação religiosa, moral e intelectual dos filhos. A sua casa acolhia genros, noras e netos, e permanecia aberta a muitos jovens amigos que andavam à procura da verdade ou da própria vocação
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