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10.ª Jornada da Pastoral da Cultura

«Uma das dificuldades da sociedade portuguesa é afirmar que há valores absolutos», diz João Lobo Antunes

João Lobo Antunes frisou hoje em Fátima que «uma das dificuldades da sociedade portuguesa é afirmar que há valores absolutos», e sublinhou que «o problema mais fundamental da ética médica é a justiça», nomeadamente em «garantir igualdade de acesso rápido e pronto» aos cuidados de saúde.

A afirmação do neurocirurgião foi proferida na primeira intervenção de fundo da 10.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, dedicada ao tema “Portugal: a saúde da Democracia».

Para João Lobo Antunes, o «racionamento dos cuidados de saúde é um anátema», pelo que «a decisão de como é que esses recursos vão ser empregues não é política, mas cabe a todos».

O médico deu o exemplo dos preços dos medicamentos para a hepatite C, que «são escandalosamente elevados porque as farmacêuticas jogam de forma indecente com esses custos», não havendo recursos financeiros para todos os doentes que deles precisam.

Referindo-se à política nacional, o neurocirurgião sustentou que «ninguém percebe o que é o interesse comum», e realçou a importância de uma «cultura de compromisso», o que obriga «a uma identidade, uma comunhão de princípios e de valores».

«Uma das minhas maiores preocupações é não haver mecanismos para dar voz a quem não tem poder», apontou, ao referir-se à “saúde da democracia”, 40 anos após a revolução de 25 de abril de 1974.

A «crise da justiça», prosseguiu João Lobo Antunes, «está ligada à crise da verdade» e à pergunta «o que é a verdade?».

Ao recordar que na Primeira República «a acusação de “mentiroso” levava ao duelo», o mandatário nacional das candidaturas de Jorge Sampaio e de Cavaco Silva considerou que «a verdade tem dignidade mas não tem charme; obtém o respeito e os louvores mas não é preferida».

No entender de João Lobo Antunes, «o ato de intervenção social deve ter um perfume ético», que «não é uma ética normativa», mas que permite «distinguir o que é bem e mal, o mérito absoluto e relativo, os valores que importam e os mais secundários».

Referindo que tanto em Portugal como noutros países é comum dizer-se que «os outros também fazem» e «é tudo a mesma coisa», o neurocirurgião acentuou a importância da educação que recebeu na família e na Igreja.

«O meu pai nunca dizia que uma coisa era má, mas dizia “não façam isso porque é estúpido”, introduzindo racionalidade nos valores morais», lembrou, antes de qualificar com «muito importante» a educação recebida na Juventude Universitária Católica, com D. António Reis Rodrigues, nomeadamente o «pensamento ortodoxo».

O então sacerdote, depois bispo, distinguia «o que era excelente do que não era» e introduziu nos jovens «mecanismos de correção de comportamento», assinalou João Lobo Antunes, que acrescentou: «Mesmo quando me afastei da Igreja, continuei a ser profundamente ortodoxo».

Na intervenção o neurocirurgião comparou alguns indicadores de Portugal e países da OCDE, tendo mencionado, de forma positiva, a educação e a saúde, designadamente um «número arrasador que é o das crianças morrerem menos», a par da qualidade da água, a satisfação com a casa e a «ciência», que qualificou de «sucesso».

Pelo lado negativo, João Lobo Antunes apontou fatores como as assimetrias económicas, menos trabalho voluntário, e a falta de confiança nas instituições políticas.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 30.05.14

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João Lobo Antunes
10.ª Jornada da Pastoral da Cultura
Fátima, 30.5.2014

 

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