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«Um filho ama-se porque é filho; não porque é bonito, saudável, bom; não porque pensa como eu ou incarna os meus desejos. Um filho é um filho»

Imagem D.R.

«Um filho ama-se porque é filho; não porque é bonito, saudável, bom; não porque pensa como eu ou incarna os meus desejos. Um filho é um filho»

O papa realçou hoje, no Vaticano, que «os filhos são a alegria das famílias e da sociedade», sublinhou que qualificar pais com muitas crianças como «um peso» é sinal de que «há qualquer coisa que não está bem», e lembrou a atualidade do quarto mandamento, sobre a importância de honrar os progenitores.

Prosseguindo o tema da família nas catequeses que profere durante as audiências gerais, depois de duas sessões dedicadas aos pais, Francisco centrou-se na importância das crianças, tendo baseado a intervenção num fragmento do livro bíblico do profeta Isaías: «Os teus filhos chegam de longe, e as tuas filhas são transportadas nos braços. Quando vires isto, ficarás radiante de alegria, o teu coração palpitará e se dilatará» (60, 4-5).

No fim da catequese, de que apresentamos alguns excertos, o papa pediu aos participantes para pensarem, em silêncio, nos seus filhos e pais, antes de invocar a bênção de Deus sobre eles.

«A alegria dos filhos faz palpitar os corações dos pais e reabre o futuro. Os filhos são a alegria das famílias e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva nem uma das muitas maneiras de autorrealização. Não, não! Os filhos são um dom. Entendeis? Os filhos são um presente. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligados às suas raízes. Ser filho e filha, com efeito, segundo o desígnio de Deus, significa trazer em si a memória e a esperança de um amor que se realizou precisamente ao acender a vida de outro ser humano, original e novo.»

«Um filho ama-se porque é filho; não porque é bonito, saudável, bom; não porque pensa como eu ou incarna os meus desejos. Um filho é um filho: uma vida gerada por nós mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, de toda a humanidade.»

«Daqui vem também a profundidade da experiência humana de ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca cessa de nos maravilhar. É a beleza de ser amado primeiro […]: antes de ter feito qualquer coisa para o merecer, antes de saber falar ou pensar, mesmo antes de vir ao mundo. Ser filho é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte última deste autêntico milagre. No espírito de cada filho, por muito vulnerável, Deus põe o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada nem ninguém poderá destruir.»

«Hoje parece mais difícil para os filhos imaginar o seu futuro. […] Podemos aprender a boa relação entre as gerações do nosso Pai celeste, que deixa livre cada um de nós mas nunca nos deixa sós. E se erramos, continua a seguir-nos com paciência, sem diminuir o seu amor por nós. O Pai celeste não dá passos atrás; quer que os seus filhos sejam corajosos e deem os seus passos em frente.»

«Os filhos, por seu lado, não devem ter medo do compromisso de construir um mundo novo: é justo para eles desejar que seja melhor do que aquele que receberam. Mas que isto seja feito sem arrogância, sem presunção. Dos filhos é preciso saber reconhecer o valor, e os pais deve-se sempre honrar.»

«O quarto mandamento pede aos filhos – e todos o somos – de honrar pai e mãe. Este mandamento vem logo a seguir àqueles que dizem respeito ao próprio Deus. […] Com efeito, contém algo de sagrado, algo de divino, que está na raiz de qualquer outro género de respeito entre os homens. E na formulação bíblica do quarto mandamento acrescenta-se: “Para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. A relação virtuosa entre as gerações é garantia de futuro, e é garantia de uma história verdadeiramente humana.»

«Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra, […] destinada a encher-se de jovens áridos e ávidos. Porém, também uma sociedade avara de geração, que não gosta de rodear-se de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida. […] Se uma família generosa de filhos é olhada como se fosse um peso, há qualquer coisa que não está bem.»

«A geração dos filhos deve ser responsável, como também ensina a encíclica “Humanae vitae”, do Beato papa Paulo VI, mas ter mais filhos não pode tornar-se automaticamente uma escolha irresponsável.»

«A vida rejuvenesce e adquire energias multiplicando-se; enriquece-se, não se empobrece! Os filhos aprendem a tomar conta da sua família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem na estima dos seus dons. A experiência feliz da fraternidade anima o respeito e o cuidado dos pais, aos quais é devido o nosso reconhecimento.»

«Jesus, o Filho eterno, tornado filho no tempo, nos ajude a encontrar a estrada de uma nova irradiação desta experiência humana tão simples e tão grande que é ser filho. No multiplicar-se das gerações há um mistério de enriquecimento da vida de todos, que vem do próprio Deus. Devemos redescobri-lo, desafiando o preconceito; e vivê-lo, na fé, em perfeita alegria.»

Antes de terminar a audiência, Francisco lembrou os imigrantes que morreram devido ao frio na travessia do mar Mediterrâneo, ao tentarem chegar à ilha italiana de Lampedusa, tendo apelado «novamente à solidariedade, para a que a ninguém falte o necessário socorro».

Por fim, o papa pediu orações pelo consistório que decorrerá nos próximos dias, no Vaticano, durante o qual o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, será criado cardeal: «O Espírito Santo assista os trabalhos do Colégio Cardinalício e ilumine os novos cardeais e o seu serviço à Igreja».

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 11.02.2015

 

 
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A alegria dos filhos faz palpitar os corações dos pais e reabre o futuro. Os filhos são a alegria das famílias e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva nem uma das muitas maneiras de autorrealização. Não, não! Os filhos são um dom. Entendeis? Os filhos são um presente. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligados às suas raízes
Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra, […] destinada a encher-se de jovens áridos e ávidos. Porém, também uma sociedade avara de geração, que não gosta de rodear-se de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida
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