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Um dia negro

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Um dia negro

Que palavras se podem encontrar para descrever o que todos nós sentimos após o atentado contra o "Charlie Hebdo", em França? O jornalismo está de luto e cada jornalista, quer seja polemista ou não, tem hoje o coração pesado e triste. Os nossos pensamentos vão para os nossos colegas que perderam a vida apenas por exercerem a sua profissão, e aos seus próximos. Pensamos também nos polícias, friamente abatidos, que estavam lá para defender os valores que são nossos e a população.

Quer se goste ou não do "Charlie Hebdo", quer se partilhe ou não o seu ideário e o seu sentido de provocação, não é importante. Cada época conheceu os seus panfletários, os seus polemistas, que a dado momento caricaturaram os excessos do seu tempo. Sem eles, a democracia não se teria construído.

A liberdade de pensamento e de expressão é uma das aquisições fundamentais da nossa sociedade. Muitas vezes, e com justiça, levantamo-nos contra as prática que, em certos locais do mundo, visam amordaçar aqueles que ousam criticar e denunciar as injustiças e excessos de todo o género.

Quando o problema das caricaturas do profeta se colocou, ocorreu um debate aceso sobre a oportunidade ou não de as publicar. O "Charlie Hebdo" fê-lo em nome desta liberdade de expressão, não para atingir uma religião e os seus fiéis - mesmo que, sem dúvida, tenha sido o caso -, mas porque a redação não quis ceder às ameaças.

Ceder às ameaças é fazer recuar a democracia e a justiça. E por vezes, infelizmente, é preciso transgredir as regras de cortesia em nome de princípios que regem a nossa sociedade que procura construir um mundo melhor.

No momento de escrever estas linhas, ninguém reivindicou o atentado. Como é evidente, as suspeitas recaem sobre o extremismo radical islâmico, tendo em conta as ameaças de que o semanário satírico foi objeto, bem como o contexto internacional. Mas sejam quais forem os autores, a questão é saber em nome de que reivindicações se pode justificar o ato terrorista que ocorreu em Paris. Nenhuma causa, ainda que a mais nobre, justifica o desprezo da vida e o ódio pelo outro.

Mesmo que não partilhemos as posições do "Charlie Hebdo", é preciso saudar a coragem da redação por ter, por vezes - é verdade - com excesso, denunciado as injustiças, troçado, caricaturado, demonstrado os abusos,... Fizeram avançar o mundo. Ceder às ameaças e ao terrorismo, exercer a autocensura, seria a melhor vitória para aqueles que cometeram o inominável nesta sombria quarta-feira.

Em nome desta liberdade pela qual os nossos antepassados combateram, estamos todos solidários. Hoje, não é só a imprensa que está de luto. É um dia negro para a democracia e para o mundo. Para cada um de nós.

 

Jean-Jacques Durré
Chefe de redação de "Médias Catholiques Belges Francophones"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 07.01.2015

 

 
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Mesmo que não partilhemos as posições do "Charlie Hebdo", é preciso saudar a coragem da redação por ter, por vezes - é verdade - com excesso, denunciado as injustiças, troçado, caricaturado, demonstrado os abusos,... Fizeram avançar o mundo
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