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Tudo está perdoado?

Imagem Kaoru Kawano | 1950 | D.R.

Tudo está perdoado?

O mundo estremeceu devido um verdadeiro tsunami que nos abalou e cujas ondas de choque nos estão a desarrumar interna e externamente.

Para complicar mais este clima, nas últimas semanas tanto recebemos a divulgação de imagens horríveis onde uma criança com cerca de 10 anos executa com tiros de revólver dois alegados espiões de origem russa, como sabemos que na Nigéria as atrocidades do Boko Haram também não têm fim.

Este é de facto um momento complicado e complexo, pois tanto ouvimos explicações que assentam em razões de cariz religioso, como em explicações de cariz político, social ou mesmo económico, assacando culpas à política de austeridade.

Será talvez um pouco de tudo isto.

Mas a grande questão não será mesmo a de percebermos que humanismo queremos e vivemos neste nosso tempo?

A propósito (e ultimamente a despropósito), com base em vários pretextos, por exemplo o da liberdade, designadamente a de expressão e a liberdade religiosa, temos visto afirmações que querendo ser humanas, de diálogo e de reconciliação, têm tido o efeito de aumentar ainda mais as reações já de si violentas.

Se o perdão gera a reconciliação, a paz, a amizade e até o amor, porque vemos aumentar a violência e o ódio? Estará tudo perdoado?

De que vale dizermos que perdoámos quando o fazemos com condicionalismos mais ou menos explícitos? Perdoar passa pelo  esquecimento completo e absoluto dos atos que provocaram as ofensas. Este perdão tem de vir da razão, pois perdoar é um ato de vontade, mas acima de tudo do coração, com total sinceridade, sem nada que possa de algum modo ferir ou provocar o ofensor porque perdoar é também resgatar o outro para uma relação verdadeiramente honesta sem condições.

Acima de tudo colocam-se pelo menos dois grande desafios: antes de tudo deixarmos de ver em cada outro um inimigo mas um potencial “tu” do “eu” que sou eu; por outro lado, teremos de ir mais além, e mais do que arriscarmos amar o próximo temos de procurar amar aqueles que nos são longínquos  - geográfica ou religiosamente  - como a nós mesmos (Abdennour Bidar).

Por certo, conseguiremos então dizer e sentir a vivência não só do perdão mas da paz e da vida fraternalmente vividas.

 

Henrique Joaquim
Universidade Católica Portuguesa, presidente da Comunidade Vida e Paz
Publicado em 29.01.2015

 

 
Imagem Kaoru Kawano | 1950 | D.R.
De que vale dizermos que perdoámos quando o fazemos com condicionalismos mais ou menos explícitos? Perdoar passa pelo esquecimento completo e absoluto dos atos que provocaram as ofensas
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