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Tolentino Mendonça e Frederico Lourenço na Festa do Livro em Belém, promovida pelo Presidente da República

Imagem D.R.

Tolentino Mendonça e Frederico Lourenço na Festa do Livro em Belém, promovida pelo Presidente da República

O primeiro dos debates incluído na programação da Festa do Livro em Belém, promovido pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai reunir José Tolentino Mendonça e Frederico Lourenço.

A sessão intitulada "A sabedoria dos livros", moderada pela jornalista Anabela Mota Ribeiro, está marcada para esta sexta-feira, segundo dia da iniciativa, às 17h00, no auditório do Palácio de Belém, com entrada gratuita.

Os intervenientes são «dois tradutores que têm trabalhado textos canónicos, de Homero à Bíblia», salientou Pedro Mexia, conselheiro da cultura da Presidência da República, acrescentando que a conversa centrar-se-á na ideia dos clássicos, «religiosos, da literatura, do pensamento», refere a página do jornal Observador.

«Sendo o Presidente um bibliógrafo e dado o grande interesse das pessoas em visitar o Palácio, pensou-se em juntar as duas coisas. Não querendo intervir na política do livro e da leitura, é uma iniciativa que faz todo o sentido tendo em conta o perfil do Presidente», declarou o escritor.

A Festa do Livro em Belém tem mais duas mesas-redondas: "O que há de novo?", com Bruno Vieira Amaral, Daniel Jonas e Djaimilia Pereira de Almeida, como moderação de Carlos Vaz Marques, e "Este país", com a intervenção de Bernardo Pires de Lima, Eduardo Lourenço e Maria de Fátima Bonifácio, moderados por Pedro Mexia.

Do programa fazem também parte, jogos didáticos, histórias contadas, música para bebés, um concerto de Cristina Branco, leituras de poesia (musicadas com os "Poetas do Povo"), sessões de autógrafos e a exibição de "Visita ou memória e confissões", documentário de Manoel de Oliveira que incide sobre si próprio, a família e os tempos difíceis por que passou depois da revolução de 25 de Abril.

Além de poderem visitar os espaços do Palácio de Belém, a iniciativa co-organizada pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, Bibliotecas de Lisboa e Cinemateca Portuguesa, que se prolonga até domingo, permite aos visitantes o contacto com os expositores de mais de 30 editoras, como a Paulinas e Alêtheia.

 

Frederico Lourenço e Tolentino Mendonça

Frederico Lourenço, que traduziu para português "Odisseia" e "Ilíada", clássicos de Homero, está a trabalhar na tradução da "Septuaginta", conhecida por "Bíblia dos Setenta", redigida integralmente em grego, que a editora Quetzal vai lançar em seis volumes: o primeiro com chegada prevista às livrarias a 23 de setembro e o último agendado para os primeiros meses de 2019.

Para Frederico Lourenço, a tradução vem preencher uma lacuna: «Falta uma versão da Bíblia para crentes e não-crentes», daquele que é «talvez o livro mais importante de toda a tradição ocidental», afirmou aquando da apresentação da obra, em julho, refere a página do jornal Público.

À tradução dos 73 escritos que fazem parte do cânone católico, juntar-se-ão sete livros do Antigo Testamento - 3.º e 4.º dos Macabeus, Salmos de Salomão, Odes, Livro de Susana, Bel e o Dragão e Epístola de Jeremias -, todos dispostos numa ordem diferente a que os cristãos estão habituados, ou seja, desde o Génesis ao Apocalipse, sequência que não é cronológica.

O tradutor defende que a Bíblia não devia ser um exclusivo das faculdades de Teologia, mas presença obrigatória em todos os cursos de Humanidades, procurando esta edição facilitar esse objetivo, com a presença de notas que «tentam explicar a materialidade do texto, que muitas vezes não se entende».

«O que quis nesta edição foi dar alguns elementos para que as pessoas possam ter ideia do debate crítico que rodeia a Bíblia», frisou Frederico Lourenço, para quem a Bíblia  «tem 2000 anos, mas é um livro hoje e é um livro amanhã», com um «valor espiritual» que «está lá sempre».

José Tolentino Mendonça fez parte da equipa que colaborou na elaboração da mais difundida versão da Bíblia em Portugal, editada pela Difusora Bíblica, traduzindo do hebraico os livros de Rute e Cântico dos Cânticos. A sua tese de doutoramento incidiu sobre um excerto do Novo Testamento, sobre o qual tem lecionado várias disciplinas na Faculdade de Teologia da Universidade Católica.

Em dezembro de 2015 o anterior Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, atribuiu ao poeta e ensaísta, primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, o grau de comendador da Ordem de Sant’Iago da Espada.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 29.08.2016

 

 

 
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«O que quis nesta edição foi dar alguns elementos para que as pessoas possam ter ideia do debate crítico que rodeia a Bíblia», frisou Frederico Lourenço, para quem a Bíblia «tem 2000 anos, mas é um livro hoje e é um livro amanhã», com um «valor espiritual» que «está lá sempre»
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