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«Teologia da ternura» de Francisco não impede «discurso exigente, duro, radical»

«Teologia da ternura» de Francisco não impede «discurso exigente, duro, radical»

Imagem Papa Francisco | D.R.

Conjugar a ternura e a exigência constitui uma das características de Francisco, considera o eurodeputado Paulo Rangel na crónica que assina hoje no "Público", onde contrapõe algumas opiniões generalizadas sobre este pontificado e acentua que «a laicidade pública não implica hostilidade ou indiferença» para o papa.

«Francisco é afetuoso e acolhedor; Francisco é um óbvio praticante da “teologia da ternura”. Digo “teologia da ternura” para usar um conceito a que recorreu na riquíssima e belíssima intervenção de sexta-feira à noite, decerto inspirado pelo ambiente mariano e maternal de Fátima. Francisco é terno e meigo no contacto humano», observa.

Todavia, prossegue o político, «a profunda humanidade de Francisco em nada impede um discurso exigente, duro, radical», como é visível no convite «à clarificação do sentido do culto mariano», como fez durante a visita a Fátima.

Também «no modo como defende a dignidade das pessoas (refugiados e marginalizados) ou a justiça do modelo económico-social (condenação do materialismo e capitalismo selvagem)», os seus «braços estão abertos, a voz é meiga, mas a mensagem não é fácil nem facilitadora». 

Paulo Rangel aponta, seguidamente, algumas «perplexidades» sobre o papa, a primeira das quais é a convicção de que tudo começa com Francisco, «como se ele tivesse ditado uma ruptura ou antes dele se vivesse nas trevas do obscurantismo».

Por outro lado, «é absolutamente bizarra a ideia de que, com Francisco, finalmente a Igreja Católica e o seu Papa se focam nos pobres e na condenação do capitalismo. Como pode criar-se esta impressão, quando a "Rerum Novarum" de Leão XIII vem do século XIX?».

«E que dizer da constituição conciliar "Gaudium et Spes" e do seu destino universal de todos os bens? E da "Populorum Progressio" de Paulo VI ou da "Laborem Exercens" e da "Centesimus Annus" de João Paulo II?», questiona.

Depois de frisar que o papa «não quer abolir a religiosidade popular, nem diminuí-la ou sequer apoucá-la», o eurodeputado sublinha que Francisco pretende que ela «seja vivida com um sentido profundamente cristão», acreditando que «nenhuma barreira cultural ou social impede, bem pelo contrário, essa vivência genuína e densa».



 

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