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"Sob a espada de César": Documentário revela respostas dos cristãos à perseguição

"Sob a espada de César": Documentário revela respostas dos cristãos à perseguição

Imagem "Sob a espada de César" | D.R.

Quando um homem se fez explodir no interior de uma igreja copta no Cairo, durante a missa de domingo, matando 25 pessoas a 11 de dezembro, não só cometeu um ato repulsivo como acrescentou outro exemplo à tendência global dos últimos anos: a perseguição de cristãos.

Dentro de uma faixa geográfica que a escritora Eliza Griswold identificou como o paralelo 10, da Líbia à Indonésia, os cristãos sofrem morte, tortura, detenção ilegal, destruição da sua propriedade, pesadas discriminações e outras violações dos direitos humanos por causa da sua fé.

Esta tendência está bem documentada, e apesar de os principais meios de comunicação social e grupos de direitos humanos a terem menosprezado nos últimos anos, começam agora a dar-lhe mais atenção.

O que é menos conhecido é como os cristãos respondem à perseguição. Depois do atentado de dezembro no Cairo, o papa Francisco telefonou ao papa Tawadros II, da Igreja copta, para expressar solidariedade naquele que é conhecido como "ecumenismo de sangue", a partir do qual as Igrejas cristãs se aproximam pela partilha de experiências de martírio.



O projeto "Under Caesar's Sword" ("Sob a espada de César") é considerada a primeira investigação sistemática a nível mundial sobre as respostas dos cristãos à perseguição em mais de 25 países



Onde há perseguição, os cristãos fogem, ocultam-se quando se juntam em oração, pegam em armas, promovem protestos não violentos, constroem relações com líderes de outras fés, estão nos tribunais e aceitam o martírio.

O projeto "Under Caesar's Sword" ("Sob a espada de César") é considerada a primeira investigação sistemática a nível mundial sobre as respostas dos cristãos à perseguição em mais de 25 países, reunindo para o efeito uma equipa de 15 estudiosos de renome que se dedicam ao estudo do cristianismo a nível global.

Depois da apresentação pública do relatório de trabalho, em Roma, em dezembro de 2015, o fruto mais recente da investigação é um penetrante documentário de 26 minutos, com o mesmo título do projeto.

Produzido por Jason Cohen, realizador nomeado para o Óscar, o filme foi rodado na Turquia e na Índia e contém extraordinários testemunhos de cristãos que foram acossados, que referem como responderam à perseguição.



Na Turquia, os cristãos são menos do que dois por cento da população, tendo caído significativamente desde o estabelecimento da República, em 1923, por causa de morticínios, perseguições e a imposição de leis discriminatórias



Na Índia, os cristãos, que representam 2,3 por cento da população, sofreram às mãos dos extremistas hindus nos levantamentos de 2007-2008 em Kandhamal e responderam construindo pontes para hindus, muçulmanos e budistas, organizando iniciativas que promovessem a paz e invocando a Constituição da Índia, que assegura a liberdade religiosa.

Já na Turquia, os cristãos são menos do que dois por cento da população, tendo caído significativamente desde o estabelecimento da República, em 1923, por causa de morticínios, perseguições e imposição de leis discriminatórias. Também aqui os cristãos criaram ligações com a população e procuraram estabelecer a sua situação com cidadãos livres e iguais.

Em ambos os países o documentário mostra que as comunidades cristãs minoritárias enfrentam árduas batalhas para ganhar respeito pela sua liberdade, mas não perdem a esperança e são apoiadas pela sua fé.



Depois da morte de Shahbaz, Paul passou de uma atitude de amargura para a aceitação do cargo ocupado pelo irmão, na sequência de inúmeras manifestações de apoio, inclusive entre muçulmanos



"Sob a espada de César" inclui o testemunho de Paul Bathi, irmão de Shahbaz Bahatti, ministro federal do Paquistão para as Minorias, assassinado por militantes muçulmanos em março de 2011. Católico romano, Shahbaz aceitou o lugar no Governo como apelo à proteção dos marginalizados, em particular das suas religiões minoritárias.

Depois da morte de Shahbaz, Paul passou de uma atitude de amargura para a aceitação do cargo ocupado pelo irmão, na sequência de inúmeras manifestações de apoio, inclusive entre muçulmanos. Seguindo o exemplo da sua mãe, acabou por perdoar os homicidas.

O filme que apresentamos, em inglês, não está legendado, mas o seu visionamento constitui um convite à proximidade, na oração e noutros gestos concretos, com os cristãos perseguidos. A página do documentário inclui excertos de dois e sete minutos, bem como um guia com sugestões para discussão do tema em grupo.









 

Daniel Philpott
In "Crux"
Edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 08.01.2017

 

 

 
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