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Só se reconstrói um país quando se reconstrói o ser humano, afirma papa Francisco

Imagem Port-au-Prince, Haiti, janeiro 2010 | Patrick Farrell/Miami Herald | D.R.

Só se reconstrói um país quando se reconstrói o ser humano, afirma papa Francisco

O papa Francisco vincou hoje que «a pessoa está no centro da ação da Igreja», pelo que os planos de reconstrução de uma nação destruída por catástrofes naturais, como é o caso do Haiti, têm de começar por reconstruir o próprio ser humano.

«A nossa primeira preocupação deve ser a de ajudar o homem, cada homem, a viver plenamente como pessoa. Não há verdadeira reconstrução de um país sem reconstrução da pessoa na sua plenitude», declarou Francisco.

As palavras do papa foram proferidas na audiência, no Vaticano, aos participantes no encontro que avalia a ação da Igreja católica na ajuda às populações afetadas pelo sismo que há cinco anos atingiu o Haiti e devastou especialmente a capital, Port-au-Prince, e as regiões vizinhas.

A prioridade na reconstrução do ser humano implica «fazer com que cada pessoa no Haiti tenha o necessário do ponto de vista material, mas ao mesmo tempo que possa viver a própria liberdade, a própria responsabilidade e a própria vida espiritual e religiosa», apontou.

«A pessoa humana tem um horizonte transcendente que lhe é próprio, e a Igreja não pode negligenciar este horizonte, que tem como sua meta o encontro com Deus», sublinhou o papa, acrescentando que durante a reconstrução «a atividade humanitáaria e a pastoral não são concorrentes, mas complementares, precisam uma da outra».

Para Francisco, os apoios materiais e espirituais «contribuem juntos para formar no Haiti pessoas amadurecidas e cristãos, que por seu turno poderão dedicar-se ao bem dos seus irmãos».

«Que cada género de ajuda oferecida pela Igreja àquele país possa ter este desejo pelo bem integral da pessoa», declarou o papa, que agradeceu «a todos os fiéis» que de muitas formas «socorreram o povo haitiano» após a tragédia que deixou atrás de si «morte, destruição e desespero»-.

O «muito trabalho» que ainda há por fazer deve assentar na «comunhão» entre os diversos organismos da Igreja que a nível mundial, inclusive a partir de Portugal, nomeadamente com uma campanha nacional organizada pela Cáritas, se têm comprometido na reconstrução.

«A comunhão testemunha que a caridade não é só ajudar o outro, mas é uma dimensão que permeia toda a vida e rompe todas aquelas barreiras de individualismo que nos impedem de nos encontrarmos. A caridade é a vida íntima da Igreja e manifesta-se na comunhão eclesial», por exemplo «entre os bispos» e «entre os diversos carismas e as instituições caritativas».

Francisco reforçou o apelo à unidade e convergência de esforços dentro da Igreja: «Seria uma contradição viver a caridade separados. Convido-vos por isso a reforçar todas as metodologias que permitam trabalhar em conjunto».

«A comunhão eclesial reflete-se também na colaboração com as autoridades do estado e com as instituições internacionais, para que todos procuram o autêntico progresso do povo haitiano, no espírito do bem comum», acrescentou.

A terminar, o papa acentuou que «o testemunho da caridade evangélica é eficaz quando é sustentado pela relação pessoal com Jesus na oração, na escuta da Palavra de Deus e na aproximação aos sacramentos».

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 10.01.2015

 

 
Imagem Port-au-Prince, Haiti, janeiro 2010 | D.R.
A prioridade na reconstrução do ser humano implica «fazer com que cada pessoa no Haiti tenha o necessário do ponto de vista material, mas ao mesmo tempo que possa viver a própria liberdade, a própria responsabilidade e a própria vida espiritual e religiosa»
A caridade é a vida íntima da Igreja e manifesta-se na comunhão eclesial», por exemplo «entre os bispos» e «entre os diversos carismas e as instituições caritativas»
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