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Ser feliz tem de ser mais humilde do que o fantasioso requerido pela ideologia da felicidade

Em vez de desejar para quem se gosta, como os filhos, que sejam felizes, «cabe-nos estimular os que amamos à corajosa aceitação da vida, no que ela tem de plenitude, mas também de vazio e até de deceção», escreve D. José Tolentino Mendonça na mais recente crónica que assina na revista do jornal Expresso.

«Nem sempre a sombra é o contrário da luz, como a árdua fadiga de viver não é o contrário da felicidade. São etapas do mesmo rio que corre. Há lágrimas que nos consolam tanto ou mais do que muitos sorrisos. E há dores que nos introduzem numa experiência de gestação e de comunhão que não julgaríamos possível», observa.

Por isso, «a ideologia da felicidade – que hoje contamina todos os planos da vida – tem disseminado de modo maciço a frustração, a tristeza e a infelicidade», e por isso urge alterar léxicos e horizontes da existência.

«Em vez de felicidade deveríamos falar mais de alegria», «deveríamos falar mais de leveza, essa qualidade dos que permitem a vida manter um “élan”, uma espécie de transparência e gratidão, ligados não ao que a vida foi ou ao que poderia ter sido, mas ao indizível milagre que ela, a cada instante, é», assinala.

Também é preciso «falar de simplicidade. Essa capacidade de partir continuamente do essencial, fazendo disso uma escolha, uma prática e um estilo», bem como «daquelas pequenas esperanças, disso que recebemos e damos, estabelecendo desse modo o movimento circular da vida».

Para o arcebispo, bibliotecário e arquivista da Santa Sé, o que torna o ser humano feliz «tem de ser uma experiência infinitamente mais humilde do que o “standard” fantasioso requerido pela ideologia da felicidade».

«Mais do que os estados que se atravessa e do que as estações que experimentamos está o que somos. A arte do ser deve prevalecer para lá das horas solares ou noturnas», aponta D. José Tolentino Mendonça.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Expresso
Imagem: Rido81/Bigstock.com
Publicado em 24.09.2018

 

 
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