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Advento: Ser como o servo fiel e prudente

Imagem Pieter de Hooch | 1670 | Col. particular

Advento: Ser como o servo fiel e prudente

«Quem julgais que é o servo fiel e prudente, que o senhor pôs à frente da sua família para os alimentar a seu tempo? Feliz esse servo a quem o senhor, ao voltar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo: há de confiar-lhe todos os seus bens. Mas, se um mau servo disser consigo mesmo: “O meu senhor está a demorar”, e começar a bater nos seus companheiros, a comer e a beber com os ébrios, o senhor desse servo virá no dia em que ele desconhece; vai afastá-lo e dar-lhe um lugar com os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes» (Mateus 24, 45-51).

Nesta semelhança que exorta à espera do regresso do Senhor fala-se de um servo cujo proprietário confiou o cuidado, o alimento «da sua família». Este servo é cada um de nós, chamado a cuidar do outro, de quem vive connosco, junto a nós, o outro a quem fazemos próximo na única “casa do senhor”, o mundo confiado à nossa proteção.

A nossa tarefa é sermos fiéis ao mandato e prudentes em cumpri-lo; assim seremos felizes naquela bem-aventurança que consiste na plena comunhão com o Senhor. Uma bem-aventurança que se realiza no serviço aos outros. De resto, como nos recorda o mais amplo excerto paralelo de Lucas (12, 35-48), o nosso Senhor é um proprietário que no seu regresso cingirá as suas vestes e há de servir os seus próprios servos, paradoxo de um proprietário que manifesta a sua senhoria no serviço, escândalo de um ministério que não terá fim porque o serviço é a manifestação da caridade que não passará (cf. 1 Coríntios 13, 8).

Certamente que para permanecer fiel e prudente, para habitar a bem-aventurança prometida, é necessário acreditar no regresso do Senhor e esperá-lo como iminente. Duvidar da promessa, suspeitar de um atraso da parte do Senhor é já deixar-se levar pelo aturdimento, obscurecer a própria mente e o próprio coração e comportar-se como inimigo em relação ao próximo que lhe foi confiado.

Não por acaso, o bater nos companheiros precede a embriaguez e a devassidão: primeiro, cessamos de ver o outro como um irmão, uma irmã, alguém por quem Cristo morreu, e depois, como consequência inevitável, procuramos o esquecimento no comer e beber, vividos não como ato de comunhão e de partilha, mas como bulimia de quem só pensa em si mesmo.

Ora, o regresso do Senhor acontece num dia que não se espera e numa hora que não se sabe porque, na espera daquele que ocorrerá no fim dos tempos, há um regresso de Cristo diário, que assume o cuidado do outro, do pobre, do doente, do preso, do estrangeiro imigrado… No serviço diário prestado aos outros, na partilha dos bens recebidos, na submissão recíproca, na oferta ao outro da porção de comida que o alimenta e o faz viver, nós, cristãos, somos chamados a esperar o reino que nos foi dado.

É verdade que o não se deixar ir, o não cair na rotina, o guardar o nosso coração na pequenez, para que não se exalte, o não procurar coisas grandes de uma grandeza que não é o Senhor, tudo isso implica vigilância e luta diária, discernimento comum, obediência entre companheiros de serviço.

Mas não devemos temer: juntamente com a responsabilidade pelo outro foram-nos dados os meios para a cumprir. Ninguém, com efeito, é tentado para além das suas próprias forças; trata-se apenas de ser conscientes e de viver na gratuidade e na vigilância este tempo que é o nosso, o tempo em que o amor do Senhor se torna tangível graças ao amor de uns pelos outros, esse pobre amor de que somos capazes e do qual nos serão pedidas contas.

 

Ir. Guido
In "Monastero di Bose"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 11.12.2015

 

 
Imagem Pieter de Hooch | 1670 | Col. particular
O regresso do Senhor acontece num dia que não se espera e numa hora que não se sabe porque, na espera daquele que ocorrerá no fim dos tempos, há um regresso de Cristo diário, que assume o cuidado do outro, do pobre, do doente, do preso, do estrangeiro imigrado
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